Eu passarinho

Peço a Mario Quintana ajuda para contar o acontecimento de hoje:

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Frequentemente eu acordo mais cedo do que o planejado com a invasão de gatos no meu quarto, dois, mas fazem o movimento de bem mais. Eles nos sequem pelos cômodos da casa, escondem e reaparecem de repente. Brincam, derrubam coisas, miam, fazem necessidades em locais indevidos, se espalham languidamente pelo sofá e exibem toda a liberdade do mundo ao correr pelo quintal.

Um deles, já gato velho e experiente, carrega um mal cheiro de uma vida de aventuras, tenho leve suspeita que ele tenha uma noiva cadáver ou seja um gato zumbi. Já não é muito habilidoso, enxerga mal, tem muitas falhas nos pelos, algumas cicatrizes pelo corpo e carrega sempre as mesmas manias. Gosta de sentar em chinelos recém utilizados, ainda quentinhos, se derrete por carinho e só gosta de ficar em casa quando estou.

É um gato completamente carente e dengoso, já teve um romance fatídico que quase o fez afogar na própria vasilha d’água. Gosta de comida crocante, colo e atenção. E qualquer coisa que tire sua atenção se torna cama para ele: notebooks, livros, tablets. Tem um cantinho no quintal para quase toda posição do sol e gosta de sonhar que é bom com caça, mas só faz assistir passarinhos buscando sementes.

O outro é novinho, encapetado, de nome Melão! Sobe nas mesas, quer brincar com fones e carregadores, derruba tudo, quer sempre roubar comida. Pirraça loucamente o outro gato, o bom e velho Salsichão, e é sempre recebido e expulso de casa aos gritos. Meio paspalhão, quando chegou em casa criou um inferno de preocupações e dificuldades. Estávamos todos preocupados como a cachorra reagiria a ele e se ele saberia se comportar com os riscos da rua.

É quando tudo que ele aprontava começou a ser mais urgente que o senso de preservação do felino fofo ele foi destinado ao temido quintal da cachorra e com acesso ao asfalto e o demais perigos de um quintal aberto. E ele prontamente nos deixou de queijo caído, rapidamente parecia ter a cachorra na palma da mão, bebia água dela, brincava com a corda que ela fica presa, dormia ao lado dela.

Até uma gatinha o danado do Melão estava descolando. De manhã a moto amanhecia cheia de marcas de patinhas, quem sabe se no mundo dos felinos veículos agregam ou não valor?! Me habituei a cada vez que entrava em um comodo procurava o bichano para dar susto e quando eu esquecia, eis que surgia ele triunfante.

Até que então o improvável acontece, no final da tarde descobrimos, ele abandonou esse mundo. A suspeita é que em mais uma peripécia o danado subiu em uma arvore para pegar passarinho ou conquistar a gatinha e tontinho do jeito que era caiu, como um passarinho que voou direto para outro mundo. Partir assim deixa todo mundo com mais raiva do que tudo que ele já aprontou, que não foi pouco, mesmo!

Esse serelepe encapetadinho viveu entre a gente um voou rasante e partiu como quem diz: Eles passarão…

Eu passarinho!

😥

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