Como um iglu

igluParece paradoxal pensar que um estrutura feita de gelo possa ser utilizada com a finalidade de se aquecer em um local muito frio, da forma que funciona um iglu. Isso me faz pensar se o conceitos não pode se aplicados em outros contextos, como por exemplo as pessoas. Até onde uma pessoa com um comportamento e aparência que transmitem de certa forma alguma frieza podem guardar para aqueles capazes de acessar seu interior calor e acalento.

Me sinto uma pessoa meio iglu, entretanto é como se a porta estivesse escondida a sete chaves, mais sistema de segurança e sabe o que mais. Gosto que por fora só apareça frieza e dureza e se isso afugentar, ótimo, não gosto daqueles que desistem fácil, a proposito, nem dos que insistem demais. Sou um misto de complexidade e exigência com simplicidade e leveza numa proporção peculiar.

Não gosto de ser previsível, nem de ordens, muito menos de ser avaliada. Sou insistente, persistente e frequentemente cabeça dura. Mas sem querer, acabo por me envolver em qualquer problema que me contem. Torço para que casais se respeitem, para que os empreendimentos sejam sucesso e me pratico diariamente, com muito esforço, o exercício de não guardar rancor.

É a velha historia do pequeno príncipe, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas, que ao meu ver não é uma relação de obrigação mas sim um laço de afeto. E sinto em algumas amizades esse laço pois um pedacinho da minha felicidade é saber que aquela pessoa está bem, e caso contrario, um pedacinho de mim se entristece. Tais laços independem de distancia, ou se conversamos há 3 anos ou semana passada. Simplesmente uma ponte de carinho intenso se forma e é atemporal e adimensional.

Sobre seres capazes de acessar o meu eu carinhoso bem distante e profundo, são poucos e raros. Meu gato, que mesmo fedorentíssimo tem passe livre no meu quarto, quando estou em casa é quase a minha sombra, um grudinho. A cachorra, com olhinho de pedinte, querendo carinho  e companhia ou o quer estivermos comendo que consegue dengo meu até nas manhãs mais mal humoradas. Esse é o poder dos bichos de envolver e provocar apego.

Sou ligada a bens materiais, é feio falando assim, mas, em geral sou apegada pela historia de conseguir ou que o objeto lembra em si, geralmente não é um apego por valor em si. Um exemplo é minha moto, alguns anos de privação e mais algumas reprovações no exame de direção até consegui-lá, e tenho enorme apego por ela, tudo que ela representa e a historia que ela conta para mim.

Por fim, imagino que essa comparação do iglu como um abrigo menos frio em um local congelante é um convite a evitar o preconceitos e se permitir conhecer, arriscar. As vezes fico tentando imaginar quantas coisas em nossa rotina não se comportam como espelhos e aquilo que percebemos é apenas reflexo de nossa própria atitude.

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