Rótulos de infância

Como o texto sugere, esse post visa contar situações ou características que me marcaram desde a infância como rótulos. O que talvez seja pouco convencional é que duas piadas traduzem esses rótulos.

A coruja

O Português, Vai na loja de animais do carioca e fica
abismado com um papagaio.

– Como esse seu bicho fala bem? Você não tem nenhum
para me vender não?

O carioca muito esperto, responde que sim, e vende uma
coruja para o português. E lhe dá a seguinte instrução:

Você precisa conversar bastante com ela para que ela
aprenda e começe a falar.

Dias depois, o português volta até a loja e o carioca pergunta:

– E então? O seu Papagaio está falando muito?

o português responde:

– Olha falar, não fala, mas presta uma atenção!

Quantas, quantas, quantas vezes eu já ouvi essa piada! Sempre que acompanho uma conversa de fim de semana, enquanto meus pais tomam uma cervejinha, sei e é certo, uma hora vão me perceber e serei comparada a coruja do português! Realmente, assumo a semelhança e coruja nem é mal, aceito bem. Frequentemente sou puro olhos atentos e muita observação, aprendi bem aquela historia de ouvir mais e falar menos, gosto disso.

E em todos os lugares que frequento, desde a primeira vista, sou geralmente chamada de quietinha. Ninguém imagina o ruido interno, sendo assim sou muito silêncio. Acho que em geral, é tanta resposta pensada, tanto comentário interno, que sai bem mais barato o silêncio. Isso quando não acontece de estar acontecendo uma longa construção de  minhas teorias conspiratórias ou a analise de algum processo ou fato de outro momento.

A outra, que vem a seguir, não está contada da forma exata que venho ouvindo desde muito nova e me marcou muito também. Na versão que sempre ouço o diálogo tem sotaque português, pois o pai é português e não turco. Meu pai faz questão em repetir varias vezes que o “papai pega” para mostrar que a “filhinha” hesita antes de confiar. E já morre de rir antes de começar a contar com sonoplastia o tombo da menina, claro que ele não ia perder a oportunidade de contar sobre uma filha do sexo feminino, sabendo que tem duas filhas.

O turco põe o filhinho em cima do guarda-roupa, e diz:
– Pula, filhinha, que o papai pega!
O molequinho pula, Salim sai de baixo e o pobre garoto se espatifa no chão.
– Viu filhinha, non confia nem na papai!

Nesse caso, o feitiço saiu contra o feiticeiro. Não sei quando foi a primeira vez que ouvir meu pai contar essa piada, sempre foi muito frequente em minha vida. O que ele não imaginou é que seria usada contra ele. Não sei quantos anos eu tinha, mas já estava naquela fase capitalista de ficar colecionando qualquer trocadinho que surgisse e guardando a sete chaves até escolher algo que vale a pena comprar.

Foi um fim de semanas desses de tomar cerveja e contar piadas, que por acaso a cerveja acabou. E meu pai que é super desligado em relação a andar abastecido de dinheiro em especie, só fica a base de cartão, vale alimentação e sei la mais o que, queria dinheiro para ir em algum local próximo pegar mais cerveja.  Foi ai que ele lembrou da minha pequena reservinha de trocadinho e pediu emprestado.

Como para bom entendedor meia palavra basta, ele ouviu uma resposta bem completa. Que começou assim, pai, lembra quando você me contou sobre a filha do português? E a lição era não confiar nem em papai?! Então, eu aprendi! Não empresto. Bem feito. Por fim, é claro, emprestei, ele sempre foi minha unica fonte de renda segura, não ia valer a pena seca-lá. Mas é bom que se tenha cuidado com as lições que se ensinam por ai, podemos aprender de verdade.

;D

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Um comentário em “Rótulos de infância

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