Quebra-cabeça

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Um dia desses parei para brincar com uma criança, bem novinha, com um brinquedo em formato de casinha e no telhado havia espaços vazados em formatos geométricos que algumas pecinhas avulsas se encaixavam. A criança ainda não sabia encaixar a peça no espaço correspondente nem na posição adequada, ai entra a função de quem brinca com ela. A diversão era apenas dar um tapão na peça e ver cair dentro da casinha varias e varias vezes.

O que me chamou atenção nessa brincadeira foi o fato de não ser trivial para uma criança associar a peça ao espaço de formato equivalente,  nem colocar na posição correta. E expandindo o significado, fiquei imaginando quantas vezes os “adultos” não insistem em peças inadequadas ou em posições equivocadas e as coisas realmente não se encaixam.

Quantas vezes eu sou a peça que não se encaixa e que tenta forçar a barra para caber onde não dá. E quão ruim pode ser está no lugar errado, ou será só um mau posicionamento. A pior forma de descobrir é a pressão, sem sombra de duvidas, que deforma espaço e peça. Mas é a pressão também que, em geral, forma as grandes riquezas da terra . O importante é determinar a posição de equilíbrio.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Carlos Drummond de Andrade )

Cito o trecho acima pois é tão inconclusivo quanto essa reflexão e inconclusividade me representa. As vezes pareço escolher ambientes da mesma forma que escolho sapatos, a consequência do sapato é o pé dilacerado do dia seguinte e a promessa, que nunca é cumprida, de nunca mais usar o maldito sapato. E com os locais e pessoas,  até onde vai o masoquismo de procurar vestir o espaço que não serve?

o.O

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5 comentários em “Quebra-cabeça

  1. Olha que interessante essa sua reflexão!
    Peças de quebra-cabeça ou mesmo de tabuleiro, não deixa de estar inserida em um jogo. Jogo da vida, pergunto eu?
    Somos personagens de uma peça, assim como as peças de um jogo de xadrez, onde a cada jogada nos posicionamos em um quadrado até que o outro se movimente mais uma vez. Somos mutantes, tenha sempre isso em mente. 😉

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  2. “O importante é determinar a posição de equilíbrio.” Perfeito! Se em vez de confiarmos passamos a apostar, em cada pessoa e ambiente conseguimos assimilar o que há de bom e seguimos em frente. Não costumo apreciar o termo jogo, porque usualmente em jogos alguém sai vencedor e o outro perdedor. Fico com aquela célebre frase do Fernando Anitelli que diz: “Os opostos se distraem, os dispostos se atraem”…e cada vez vamos aprendendo como aproveitar de forma mais benéfica as oportunidades. Abs 🙂

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    1. Nada como um filtro atuante de coisas boas, que direciona para o que faz bem.
      Quem sabe não é um longo jogo com muitas partidas entre bons amigos?!
      Todos ganham pelos momentos e no fim nem se sabe quem efetivamente ganhou ou perdeu, já que todos se divertiram.
      Vire e mexe o perder me parece questão de referencial!
      Obrigada pelo comentário! Fique a vontade para agregar mais vezes.

      Curtido por 1 pessoa

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