O Concurso

Concursos são motivos de ansiedade e tensão frequentemente e em vários momentos na vida. A minha primeira oportunidade de experimentar a sensação de candidato foi bem cedo e muito positiva. Essa primeira experiencia, bem como a preparação para ela, acredito eu, me influencia e de certa forma modelou minha forma de reagir a concursos. Vejo a preparação psicológica e a capacidade de interpretar e destrinchar questões uma habilidade extremamente útil.

Meu primeiro concurso foi na quarta serie do ensino fundamental, para me tornar aluna do colégio militar. Havia estudado sempre em escola publica, com exceção apenas dos 3 primeiros anos de creche. E o colégio militar era para mim uma oportunidade excelente de pagar um valor acessível em um ensino de nível elevado. Tive a oportunidade de fazer cursinho preparatório que teve um valor para mim muito maior do que o que foi aplicado no concurso.

Outra oportunidade que tive de me candidatar a outra escola, foi através de sorteio no colégio João XXIII, que tem um ensino acima da média, mas sorteio nunca foi meu forte. Aceitei o desafio de me preparar para prova do colégio militar e apos alguns meses de preparação estava admirada andando pela vastidão do pátio do colégio militar para fazer a prova de matemática, fase eliminatória do concurso.

Eu devia ter uns 10 ano de idade, no total haviam 611 candidatos escritos, haviam alguns amigos meus, a maioria que eu havia conhecido no cursinho. E, apos a prova de matemática, matéria que eu tinha menor dificuldade no cursinho, aqueles que haviam sido selecionados para a próxima etapa se concentravam na sala desfalcada do cursinho. E ai a responsabilidade de fazer tudo o que for possível para se preparar para etapa que seria um desafio ainda maior de acordo com as dificuldades que tive em simulados.

Por 15 dias eu eliminei meu almoço da rotina frequentando aulas extras de redação no cursinho e fazendo 5 redações por semana para aprimorar a habilidade que me faltava. Sinceramente, nem foi ruim, era corrido, mas adorava lanchar besteiras que meus pais não permitiriam sem um motivo forte. O problema era o tempo curto para corrigir as deficiências, as ideias já escassas de tanto escrever redações e as correções repletas de rabiscos vermelhos, acentos faltosos e problemas de coesão ou coerência.

Durante todo o período de preparação sempre estive ciente dos obstáculos e dificuldades, estava super preparada para não alcançar o exito e satisfeita pelo aprendizado que a oportunidade agregara. Acordei no dia da prova, ansiosa mas tranquila de ter feito tudo que podia durante a preparação. Ficava animada pois depois da prova sempre lanchávamos em “fast food” e eu adorava.

E para surpresa de todos, inclusive minha, havia sido aprovada. Na prova que representava um obstaculo maior havia tirado uma nota maior. E por incrível que pareça ter sido aprovada, em 20º lugar entre 40 vagas, me deu uma insegurança enorme. Eu só havia me preparado para ser reprovada e agora, aprovada, um mundo enorme se abriria. Para piorar nem todos meus amigos mais próximos haviam passado e isso me chateava e tornava o desafio que viria a seguir mais solitário.

Sem sombra de duvidas esse foi um acontecimento gigante em minha vida, que faz muita parte de tudo que sou hoje. Outros concursos vieram e os aprendizados que recebi no cursinho ainda hoje me auxiliam, não só em concursos, em provas, em testes. Foi um grande orgulho e uma grande surpresa, hoje vejo muito melhor a dimensão disso.

🙂

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