Campeonato de Rugby

Essa semana fui surpreendida com um lembrete do Facebook que marcava dois anos de amizade com uma das grandes amigas que fiz através do Rugby. Fiquei surpresa de perceber que tem esse tempo todo que estive pela primeira vez em Volta Redonda para apoiar o time da cidade e completar, pois as meninas não tinham time suficiente para disputar a etapa do campeonato fluminense.

Lembro que foi uma época que eu estava completamente desanimada com o esporte que veio o convite, percebia falta de comprometimento geral que dificultava o treino masculino e impedia a existência de time feminino. O Brasil é o pais do futebol e ponto. O Brasil ignora e tem preconceito com qualquer outro esporte e modalidades femininas então, haja preconceito.

Comecei a treinar Rugby em 2013,lá pro meio do ano, por curiosidade, morria de medo de contato e ficava completamente abismada com o bolo de gente que vire e mexe o jogo virava. Mas o treino me distraia, cansava e era bem lúdico, sempre apareciam alguns desafios legais e cada treino eu aprendia que precisava melhorar em algo e isso me motivava para o treino seguinte.

Com o tempo, alguns treinos, torneios, conheci algumas meninas que já treinavam e vi os meninos jogando contra times de fora. Fiquei empolgadíssima, jogadores pequenos levando ao chão os grandões, corredores, pontuadores, competição e respeito. Entre os jogadores de Rugby existe o forte hábito de falar de respeito aos árbitros, colegas, adversários e a consciência de jogar por prazer e diversão de ambos os times.

Não que todos os times e jogadores respeitem o espirito, mas antes de torneio assisti treinos em sala de aula com objetivo de focar em estrategias e conversar sobre motivação e respeito. Achei uma pratica bonita e interessante, me integrou mais ao esporte e ao time, carrego esse tipo de sentimento e objetivo para toda e qualquer competição e nessa época que a sementinha foi plantada.

De inicio aprendi muito sobre perder o medo de contato e choque, foi terrivelmente difícil começar a adquirir coragem para derrubar em velocidade durante o jogo, mas aprendi me divertindo. O time estava em uma fase de treinos com corre cutia de derrubar e outros brincadeiras meio de roda que exploravam fundamentos do Rugby como o tackle, derrubar, e o passe.

Nem eu entendia, quietinha, mal tinha passado da fase de morrer de medo de contato com meninos e estava lá treinando esporte de colisão praticamente com o time feminino, já deixei de jogar handebol por achar que tinha contato demais. Mas me envolvi com o time, com o esporte e só me decepcionei um pouco quando percebi que grande parte do time tinha sempre outras prioridades e os jogos nunca aconteciam.

Quando as coisas apertaram na faculdade, eu já devia ter mais de um ano treinando, havíamos conseguido um treino com 8 meninas que não se dispuseram a continuar no time com afinco e nem as que conheciam o esporte mais que eu se comprometiam. Ai o desanimo bateu, fui parando, quase desistindo. Fiquei um longo período sem ir, correndo atras de progredir na faculdade.

Foi ai que um dia qualquer, encontrei dois meninos do time, em horários diferentes e me disseram a mesma coisa, que eu deveria voltar a treinar que haviam meninas diferentes treinando. No mesmo dia cheguei em casa e havia um amiga de curso e que jogava Rugby que me convidou para compor o time da cidade que ela morava, Volta Redonda, e comecei a pensar na possibilidade pela coincidência de no mesmo dia o assunto aparecer tantas vezes.

Foi ai que topei, avisei que ultimamente estava com pouco treino e não tinha o “law”e “ready” do ano, se lembro bem o nome, são documentos necessários para inscrição em campeonatos que atestam que o jogador conhece regras e espirito do esporte. Em pouco tempo acertamos os documentos, anotei as datas de etapas e fui buscar o dinheiro para passagem que iria conhecer o time um fim de semana antes da etapa.

Oportunidade excelente conhecer um novo time, me senti acolhida, parte mesmo do time e útil para colaborar. Só havia jogado uma fez com um time em formação e nem sabia ao certo qual seria a posição mais adequada. Conversei bem com treinador sobre minhas características e limitações e com isso ele montou estrategias e possibilidades diferentes de composição do time.

Senti uma diferença bem grande entre os treinos que estava habituada, principalmente porque era um treino exclusivo do feminino e muda bastante rendimento e possibilidades. No fim de semana seguinte estreei na etapa e foi um mundo de sensações novas. Assustador, emocionante, cansativo, apavorante. Cada jogo 15 minutos, no campo, que no Brasil é de futebol, time composto por 7 meninas, no nosso caso praticamente sem reservas.

E não lembro de muita coisa, porque no meio de tanta ansiedade fica mais emoção. Assim que dava a hora de entrar em campo, pelo menos duas ficavam loucas para ir no banheiro de nervosismo. O chute inicial no meio do campo era um momento longo de tensão e agarrar a bola e correr para frente era uma euforia curta. Em pouco tempo brotava alguém do chão e te jogava para recuperar a posse de bola.

No total acho que apaguei umas duas vezes, não tinha a malicia de cair certo, nem de notar de onde viriam as adversarias. Bolada na barriga, no nariz e quem disse que dava tempo de recuperar. Voltávamos a respirar e correr atras da bola de imediato e com uma certeza só, todas teriam de sobreviver, pois não tínhamos reservas em condições de jogo. Perdemos todos os jogos sabendo que na condição que estávamos só de jogar todos os jogos até o fim já era uma grande batalha.

A volta para casa no mesmo dia, de ônibus, foi uma longa, solitária e dolorosa viagem. A cada balanço do ônibus minha cabeça doía, nos braços e pernas os doloridos de roxos que nem apareciam direito ainda. Cheia de sono e nada de conseguir dormir por causa das dores e naquele momento eu pensava em nunca mais jogar o tempo todo. E quando minha mãe viu meu estado, tentou em vão me fazer prometer nunca mais jogar.

 

 

 

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6 comentários em “Campeonato de Rugby

    1. Obrigado por comentar, bom saber de mais gente que pratica. O Rugby foi o primeiro esporte que conseguiu me cativar e provavelmente isso tem relação com os valores, é um esporte bonito de acompanhar. Pena sofrer com preconceito e com a popularidade do futebol!

      Curtido por 1 pessoa

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