A calma não me acalma

O uniforme do final de semana foi o pijama. Qualquer convite para qualquer atividade foi negado. O único deslocamento planejado tinha como comprimento máximo a distancia entre o quarto e a cozinha. O tempo frio, o cansaço acumulado e o momento de avaliar os dias que virão colaboraram para meu isolamento do mundo externo. Pouco vi nesses dois dias além do caos no quarto, nem o celular, companheiro de tudo carreguei.

E por incrível que pareça, me sinto mais cansada do que se tivesse saído. Minha mente tem uma capacidade de percorrer quilometragens que superam humilhantemente minhas pernas. Falhei em tentar descansar e sossegar, que minha cabeça atiçou saudades, realimentou duvidas e questionou ausências. Longa caminhada que é percorrer lembranças.

Nesses momentos percebo de onde vem a mania de nunca parar quieta em casa. A inquietude de atitudes encobre o desassossego da alma. Quanto mais leio,  mais paisagens se completam, mais nostalgia. Feridas cicatrizadas reaparecem quando a insistente nostalgia se impõe. Gosto mais de cansar o corpo, ele sim, tem muito mais vigor que minha alma.

Ainda assim, como a bagunça que antecede a arrumação, o caos que origina, o jeito é enfrentar. Dialogar entre novos e velhos medos, desafios, amores e absorver o melhor, junto com aprendizado. Me sinto uma pirralha a encarar o futuro e uma idosa ao me defrontar com passado. Olhar o que passou para se posicionar melhor diante do que futuro.

Bom rever vitórias, obstáculos, amigos que se foram, desejos adormecidos. Hábito antigo, sempre que possível trocar dias por noites, acordar para almoçar e depois voltar a dormir. No silêncio da madrugada ler, ouvir musica, estudar e dormir mais. O corpo se recupera das dores da rotina de treino e a alimentação segue um rumo politicamente incorreto.

Nada como momentos assim para ouvir a si mesmo e recalcular rotas. Observar o vinculo com quem deixou de querer fazer parte e o apego e a memoria não permitiram o distanciar. Quem sou hoje me faz feliz, mas todas as versões de mim que me trouxeram a essa atual me envolvem. Gosto de ter um pouquinho de todas pelo quarto, com suas preferências, músicas, afetos e lembranças.

=]

 

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3 comentários em “A calma não me acalma

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