Hoje ela só quer paz

Sou desses seres completamente noturnos e que adoram o silencio da noite, logo qualquer fim de semana ou feriado prolongado já é motivo para trocar o dia pela noite. Ouvir “Ela só quer paz” – Projota durante a madrugada me faz pensar sobre as características que são atribuídas a minha geração. Amores e relações superficiais, cultuam aparências de forma exacerbada e estão sempre com muita pressa, sempre.

Quanto a pressa, não nego, o coelhinho branco que aparece nas Histórias do País das Maravilhas sem sombra de dúvidas me representa. Ainda assim, os dias mais parados simplesmente não me envolvem, gosto da correria, do cansaço e da agitação. E, mesmo quando atrasada, não saio de casa sem mexer com a cachorra ou fazer um carinho no gato. Apesar de quase sempre almoçar em dez minutos tranquilamente, meu café da manhã geralmente dura mais de meia hora.

Quase nunca tenho tempo de ouvir alguma música ou ler um livro durante a semana, o que faz a atividade mais prazerosa quando finalmente sobra um tempinho. Já estou acostumada a sempre carregar algum sintoma de estresse pela pele, sejam nos braços, no rosto. Faz parte de como encaro as coisas e é o que da forma as minhas conquistas também.

Incenso fosse música (Paulo Leminski)

      isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Sobre aparências, busco o peso ideal, uso uma quinquilharia de hidratantes, creme pra num sei mais o que, sem contar mil coisas para apaziguar os selvagens cachos. Ainda assim não consigo vencer a auto resistência a maquiagem, extremamente apegada até nos defeitos do meu próprio rosto, que devem ter uma razão de ser. Em geral, procuro estar confortável, ainda que vaidosa e só meu quarto sabe quantas roupas experimento antes de ir na esquina, não me esforço para estar no padrão.

Passei a objetivar um perfil mais atlético pela disciplina e foco que representa, sem contar a vitalidade e a qualidade de vida que o esporte pode proporcionar. Mas a forma de beleza que mais me desperta admiração é a gentileza e a sensibilidade. Adoro ver bondade e educação nas pessoas, cordialidade essa seria a beleza que mais pontua comigo se houvesse um “ranking de beleza”.

Para tornar concreto o pensamento tem atitudes simples que me impressionam e que acho extremamente bonitas. Um dia desses, voltando de um evento quase meia noite, parei no ponto, rezando para não ter perdido o ultimo ônibus e para não aparecer ninguém de índole duvidável, pois estava sozinha. E, percebendo isso, o vigia do estabelecimento mais próximo do ponto veio me tranquilizar, dizendo que ficaria por ali enquanto meu ônibus não chegasse. Isso é bonito e cortês, não era a obrigação dele e foi extremamente cuidadoso e agradável.

É até engraçado, tenho um velho habito de chamar de “lindo” não me remetendo a aparência física da pessoa e sim a atitudes. Como quando professores que respeitam horários e alunos, procuram sempre preparar a aula e zelam pelo conteúdo que passam a cada aula. Vejo muita beleza na atitude daqueles que buscam fazer o próprio trabalho com seriedade e compromisso. Por incrível que pareça não é uma atitude tão comum como eu gostaria.

Sobre relações passageiras e ai aparecem aqueles mil aplicativos de relacionamentos que não me representam. As redes sociais foram bem importantes na minha formação pois sempre fui muito quietinha e passei a me socializar mais usando a internet, sempre foi mais fácil atras da telinha. Sempre fui bem próxima dos meus pais e não tive problemas quanto aos perigos de exposição e acesso a redes sociais desde cedo.

Me divirto com histórias alheias sobre “tinder” e quaisquer outras formas de relacionamentos descomplicados e rápidos. Apenas não me encaixo nesses contextos, morro de preguiça de coisas superficiais e não são capazes de me envolver de forma alguma. Entre tantos interesses e focos, relacionamentos está longe de ser prioridades, pode ser no máximo uma consequência.

Essa geração de Smartfones, selfies e muita exposição tem suas características predominantes e suas marcas. Cada individuo recebe tudo isso da forma que lhe convém. Acho o avanço na comunicação e na interação bem positivo ainda que haja os problemas de muita gente querendo impor seus próprios pensamentos aos demais. Talvez as gerações assim como as pessoas precisem de tempo para amadurecer.

x)

 

 

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3 comentários em “Hoje ela só quer paz

  1. Tenho um amigo que diz: “O grande problema do mundo são as convicções”. Ter uma “convicção” significa que nós entramos no campo da “fé”, onde a opinião, baseada em nada, é suficiente para transformar o mundo em um lugar preto & branco. Há o certo e há o errado. E não há nada no meio. parece-me também que é isso que está causando tantos problemas. Mas isso não é de agora. Não é uma característica da geração atual, ou das facilidades de comunicação do mundo moderno. É inerente ao ser humano. Pode ser combatido, com vontade, cultura e conhecimento. Penso eu 🙂
    Já em relação ao tempo. Cada vez mais tenho vindo a apreciar o movimento “slow”. Nós estamos viciados na rapidez, em fazer várias coisas ao mesmo tempo, em produzir mais e mais e mais em menos tempo. Mas isso, definitivamente, não é saudável. É um vício, como cocaína. Um dia nos mata. Antes da hora…
    Abraços! 🙂

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    1. E já dizia Nietzsche: “As convicções são cárceres. Mais inimigas da verdade do que as próprias mentiras.” Não sou muito ligada a fé e busco sempre obrigar que minhas convicções se permitam mudar. Agora doutrinar a ansiedade e o corre corre doentio têm sido um desafio a parte!

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