Feminismo

Se me perguntam por ai se vou feminista, não sei responder, a tendência é dizer que não. Eu diria até que em determinadas situações tenho pensamentos ligeiramente machistas. No mas acredito que, sem me importar acabo por promover o mais claro e justos dos feminismos. Aquele que de fato para na igualdade de direitos e deveres e que não se aproveita de vantagens, simplesmente não nota as diferenças.

Na minha rotina participo de ambientes que são tidos como predominantemente masculino, porém desde o momento que passei a fazer parte deles, não me sinto diferente dos demais. Não quer dizer que abro mão de feminilidade em momento algum, apenas que aquilo que destoa não se torna foco. As diferenças de tamanho, força, idade e concepções não acontecem apenas entre sexos diferentes.

De forma nenhuma perco o tique de prender e soltar o cabelo diversas vezes ou a mania de passar a mão no rosto para avaliar a oleosidade. Ainda assim, se durante um treino a minha unha quebrar, não vou nem falar nada, provavelmente nem irá acontecer pois mantenho ela curta, em respeito aos colegas de treino. No rugby, quando comecei, atualmente em determinadas situações em que me assusto, não nego, uma mania de gritinho que é mais forte que eu.

E geralmente toda vez que alguém descobre que pratico esportes brutos e de contato em turmas formadas em sua maioria, quase totalidade, por homens rola aquela surpresa. As vezes perdi a capacidade de me colocar no meu lugar, mas realmente não vejo absolutamente nada demais. Assim como nem todos os meninos possuem 1,80m de altura, nem todos pesam mais de 80kg, estou lá com pouco mais de um metro e meio e 50kg.

Assim como eu, minha mãe, passa roçadeira no quintal, que nem é tão pequeno assim e desconversa quando perguntam desconcertados se não é uma atividade muito pesada. É uma questão não de “pregar” o feminismo e sim de não perceber essas diferenças que justifiquem tratamentos diferenciados. É claro que tem limite, o limite ditado não pelo sexo, mas pelas capacidades pessoais.

A engenharia é tida como um ambiente muito masculino e dentro da faculdade, pelo menos desde quando entrei até hoje, isso vem mudando de forma, para mim, bem rápida. Aqui em casa somos duas, eu e minha irmã na engenharia, ela na computacional, eu na elétrica. A criação foi a mesma mas as reações são completamente diferentes.

Ela é mais sensível a comentários, brincadeiras, aparece diversas vezes contando piadas e brincadeiras machistas que ouviu do grupo que frequenta. Nesse ponto sou bem segura, nunca sei se isso é bom, meu pai atribui isso ao ego de argentino que diz que tenho, quem sou eu para dizer que não. E, em geral, não sinto que há algum tratamento diferenciado que me prejudique dentro da engenharia ou qualquer outro ambiente “predominantemente masculino”.

Muito pelo contrário, todas essas experiências que tive, foram suficientes para preferir esse tipo de ambiente, nunca fui um primor de preocupação com vaidade e a simplicidade descomplicada, mas comum em homens que em mulheres me deixa bem a vontade. Não pensei assim desde sempre, até o ensino médio sempre pertenci a clubes de Luluzinhas em que os Bolinhas não podiam participar.

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Sobre diferença de tratamentos, nas mais diversas esferas, é inevitável. Não tenho problemas propriamente dito, sou bem determinada e seria, de forma que não haja espaço para desrespeito. É claro que não desconheço os vários casos de abuso que relatam por ai, não me lembro de passar por nenhuma situação suficientemente desagradável e marcante.

A forma que as mulheres são tratadas pela sociedade, com incentivos para que sejam mais delicadas e doces acaba refletindo na forma que são tratadas. Não me sinto um desses seres languidos e inspiradores que os grandes poetas e escritores exaltam. Sou um desses exemplares mais brutos e céticos que se pode imaginar, só não sou pior que falta tamanho e peso. Mas na hora que as coisas ficam mais tensas, a voz amolece a cara de desespero aparece é lá se vai a brutice, sobra só a criança pequena e desamparada.

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