Os sons adolescência

Não sei se a grande mudança está em mim ou nos artistas atuais, mas raras são as músicas atuais que conseguem me envolver como me envolviam a uns oito ou dez anos atrás. É só aparecer aquela vontade de ouvir letras com sentido que parecem me completar ou descrever que o jeito é passear pelo passado. E a viagem acontece mesmo sem planejamento e lá vou eu revisitar os sons da adolescência.

O questionamento que fica e se na atual conjuntura eu me fechei para o novo e falta curiosidade para as novidades. Eu estou velha e a arte jovem atual não me representa mais. Ou a minha nostalgia é mais forte e sintoniza logo a identificação antiga. É o tempo de acompanhar o “top TVZ” do multishow que me falta e não me permite mais atualizar meu gosto musical?

Charlie Brown, Rappa, Detonautas, cpm22 fazem parte da trilha sonora da minha fase mais musical. Com um pouco mais de idade veio também o habito de procurar o reggae e as musicas mas calmas e surgiram o gosto por Los Hermanos, Natiruts, Maskavo e banda eva. A época de uma ou outra festa a noite, shows e festas, nem durou muito, faculdade noturna e o sono atrasado me envelheceu cedo.

Quantas fases marcadas por músicas, gostos amizades e momentos. Ouvir música é assistir um filme pessoal e mental e paralelo. Quantas sensações não foram traduzidas por um desses compositores citados, assim como a distrações de dias desanimados e as comemorações dos grandes dias. Do radio do ônibus do colégio, discman, mp3, mp4 até os smartfones modernos e atuais sempre acompanhando com uma boa playlist.

E hoje, vejo músicas, busco boa letras, mas não consigo que me acompanhem mais. Falta memoria no celular, disponibilidade para fazer barulho em casa, momentos para apreciar uma boa seleção de músicas. Li em algum lugar que buscamos ouvir no cotidiano aquilo que nos soa familiar e neste campo da minha memoria só tem sons de alguns anos atrás pelo visto.

Pois não queria demonstrar a emoção
Já que estava ali só pra observar
E aprender um pouco mais sobre a percepção
Eles dizem que é impossível encontrar o amor
Sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte
O impossível é só questão de opinião                                                                                     Só Os Loucos Sabem
Charlie Brown Jr.

Era tão mais fácil ir e voltar da aula de ônibus escolar curtindo a radio local. Eu por sete anos estudei bem longe de casa e eram quase uma hora de viagem de ida e mais uma na volta, muita música no trajeto. Naquela época tínhamos bastante tempo disponível, claro que não imaginávamos isso naquele tempo e reclamávamos sempre querendo mais, sempre compartilhávamos e buscávamos ouvir musicas em grupo.

As vezes acho até que aprendi a ansiar pelo silêncio absoluto mais que o normal. Com o tempo parece que meus pensamentos se tornaram mais ruidoso e cansativos e o meu tempo de exposição agradável a musicas reduziu bem. Valorizo bastante pessoas que falam baixo e televisão e outros aparelhos desligado em alguns momentos só para me sentir desconectada e em paz.

São tantas formas que a arte tem de se manifestar, que as vezes o culto de alguns desses formatos em detrimento dos outros prevalece. Meu atual vicio para todo o momento que sobra acabou virando a leitura, nunca fui muito fã de televisão, por vezes acredito que assistir filmes e series encarcera a imaginação, coisa que não acontece com livros. E gosto da intensidade que o livro me envolve, de forma que se não houver atenção suficiente, simplesmente a leitura não progride.

=)

 

 

 

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11 comentários em “Os sons adolescência

  1. Curioso. Eu sou muito “musical”. Já toquei em banda. Se pudesse, ouvia música o TEMPO TODO. lol
    Mas ao contrário de ti (neste momento), estou sempre à procura de sons novos. E tenho encontrado muita coisa interessante, a maioria de bandas pouco conhecidas. Nesse aspecto, as rádios (em sua maioria), são uma merda. Quando vivia no Brasil, minha rádio favorita era a Antena 1, em Curitiba. Depois passou a ser a rádio do “estado” (no Paraná, era uma rádio que funcionava em conjunto com a TV Cultura). Programas alternativos, temáticos, músicas do mundo. Era muito bom. Aqui em Portugal, quando estou no carro, ouço a Rádio Radar, que é o mais parecido que encontrei. Mas viva a internet!!! E no fim, sou daqueles que quando encontra uma música, ouve em repeat sem parar por horas ,dias, até semanas. Até encontrar uma nova paixão 😉 rs
    Logo vou publicar um tópico com bandas Portuguesas. Quem sabe não encontras alguma coisa que goste?
    Abraços!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Minha irmã tem hábitos mais musicais que os meus e frequentemente tenta me mostrar novidades. Fico me cobrando para ouvir e ler mais a respeito, o que acaba que nunca acontece. É um pouco de fase, espero que mais para frente consiga me dedicar por mais tempo a apreciar um bom som. Falta cabeça para desfrutar de fato da boa música. Aguardarei a publicação para conhecer um pouco mais e quem sabe arrumar um novo vicio. 🙂

      Curtido por 2 pessoas

  2. Essa rotina corrida que a gente segue durante a semana não permite momentos para se apreciar uma música. Geralmente sobra mais tempo nos finais de semana, e gosto de passar algum tempo ouvindo aquilo que gosto, ou descobrindo músicas novas. É gostoso poder ouvir com calma, sem pressa, relaxado, para se envolver mesmo com o que se ouve. Algumas músicas marcam mais mesmo e sempre vivemos uma certa nostalgia, mas, se você procurar com calma, consegue encontrar muita coisa boa, mesmo entre as produções mais recentes. Ainda existem artistas que prezam pela arte, e não tanto o lado comercial.

    Curtido por 3 pessoas

    1. Meu problema com ouvir músicas finais de semana é a família toda em casa. Televisão ligada em um comodo, conversas em outro, fora as obrigação que se acumulam para o fim de semana quando a semana é pequena demais para dar conta. Mas sem sombra de dúvidas irei lembrar disso assim que conseguir reduzir um pouco o ritmo. Sempre gostei de ter um tempinho disponível para música, assim que der retomarei o hábito.

      Curtido por 2 pessoas

  3. Particularmente falando, é provável que seja mais um apego pelas boas lembranças que as músicas antigas podem trazer. Eu sou muito ligado ao passado e vez por outra, acabo me prendendo a esse tipo de comportamento. Quando a gente corre de um lado para o outro e fica sem tempo, relembrar de um tempo onde tudo era mais calmo e aparentemente mais tranquilo é revigorador, talvez seja isso.

    Curtido por 2 pessoas

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