O essencial é invisível aos olhos?

Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer.

(Antoine de Saint-Exupéry)

Quando observo crianças elas parecem de fato carregar uma visão mas capaz que a grande maioria dos mais vividos. Com a capacidade de sorrir em ônibus lotados, cheio de pessoas serias e preocupadas, brincar com carecas e cabelos, se divertir com a simplicidade do vento. Adoro essa capacidade de sorriso e o olhar brincalhão, parecem debochar e se divertir com a correria que conduzimos a rotina.

Além disso, nada como algumas questões banais e rotineiras para colocar aquela pulga atrás da orelha em relação a alguns pensamentos quase cliché. Acordei imaginando se realmente o que de fato nós é essencial passa assim tão desapercebido pelos nossos olhares. E a frase do “Pequeno Príncipe” que li há muito tempo atrás ficou ecoando na minha cabeça.

A situação que me trouxe o questionamento foi simples, de uma conversa banal. Uma pessoa que só conhece outra por comentários indiretos e no máximo fotos, dessas sem muita definição nem detalhes diz ter reconhecido certas semelhanças ao reparar um desconhecido. O que mais me impressionou é que as características narradas como semelhantes não foram estatura, cor da pele, ausência/ presença de barba.

Então fiquei a me questionar como foram feitas tantas menções a características que não são as mais superficiais e obvias, sem nem ao menos perceber. E começo a acreditar que são alguns tipos de relações, que envolvem tanto, e o essencial passa a ser visível, pois o que se vê é visto com o coração. E, me deixa mais surpresa ainda que essas impressões não concretas possam ser divididas com uma terceira pessoa que consiga  não só compreender por completo como também buscar a mesma ótica em algum cenário.

Passamos então a ter como referência a inquietação no olhar, a feição tranquila e desconectada do ambiente, os vícios em Smartfones (essa é fácil de encontrar com olhos ou coração), o ajeitar de ombros, o jeito peculiar de se vestir em determinado lugar. E mesmo que não tenham sido mencionadas tais características de forma direta, elas ficaram subentendidas em algum comentário mais abrangente.

O único indicio que margeia o pensamento que em algum momento tais impressões foram compartilhadas é a observação clara e constante que a memoria trás ao ouvir determinadas impressões. É como conhecer uma obra através de uma releitura e quando em contato com a obra original se sentir familiarizado. O impressionante é que pessoas são dinâmicas e mutáveis demais para surgir efeitos similares.

Não sei o que me assusta mais, o que é dito sem perceber que foi dito, o que pode-se concluir do que foi falado ou o que é possível deduzir além do que foi retratado. A vida tem dessas coincidências (ou não) surpreendentes e fundamentais. Não sei dizer se o que vejo é essencial, visto ou não com o coração, só me parece terno e singular. E me causa estranheza imaginar que algum tipo de imagem desse gênero possa ser compartilhada.

Outra vez sem ombro pra recostar
Outra noite sem dormir
Menos uma chance pra sonhar

Fecho os olhos me concentro
Talvez o pensamento me mostre um filme seu
Te veja feliz, te veja cantando

Pra me tirar a saudade e aliviar a dor
Queria estar perto de você

Ouvir suas historias de princesa
Ver o seu sorriso de menina
E sentir sua pureza, te aconselhar como amigo
Te livrar do perigo, te desejar sorte

[…]

(Outra vez – Saulo)

 

 

 

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