Um brinde mediocridade

Frequentemente brindo minha mediocridade, principalmente na proximidade dos finais de semestre. Não é um hábito novo, o mesmo acontecia nos tempos de colégio, sempre fui esse tipo de aluno que foca no estritamente necessário para aprovação. Claro que meu objetivo é o aprendizado e procuro não negligencia-lo, mas a nota é um obstaculo que reflete a minha dificuldade de manter o foco e a disciplina de estudo desde o inicio.

Na verdade, essa mediocridade só aparece mesmo na nota global, quando aparece, para minha felicidade. Sou terrivelmente desfocada no inicio do semestre e era do mesmo jeito no colégio independente da divisão temporal, bimestres, trimestres ou semestres. E desde muito cedo fui acostumada a exercitar a fé e a auto estima para acreditar que conseguiria notas absurdamente altas para a sonhada aprovação.

Sou muito atenta em sala de aula, geralmente anoto tudo que é importante, me preocupo bastante com os trabalhos e sempre me dedico. O trabalho braçal, logo eu que adoro a disciplina do esporte e musculação, sempre deixo para depois. E ai vira a bola de neve de matéria acumulada e parece surreal o esforço necessário para retomar o ritmo e o controle da situação.

Para piorar, o desafio é o meu combustível e quanto maior for a necessidade, mais interessante é a recompensa, ainda que seja só satisfação pessoal de ter alcançado uma meta complicada. Ainda aparecem aqueles trabalhinhos que além da sua necessidade tem o peso do comprometimento com o restante do grupo, que pesa bastante para mim e sempre coloco como prioridade.

Avalio então o game das próximas semanas, a brincadeira é evitar a alergia ao extremo, se possível manter os treinos e alcançar as notas sem perder uma cota minima de paz. Tenso será, cansativo possivelmente também, a esperança/ salvação é se o planejamento para o feriado enormemente lindo der certo. E é sempre bom contar com uma dose de meditação, tirada de duvidas com professor e o fortalecimento da confiança pessoal para as matérias que preciso de mais de oitenta em alguma prova.

Nas listas de criticidade, até isso faço, destacam se duas. Ai que entra a questão de ponto de vista: estará o copo meio cheio ou meio vazio. Uma das matérias que mais preciso de nota é a mais importante do semestre, daquelas que são pré requisito para todas as outras do semestre seguinte. Tirei uma nota que pode ser vista como péssima na ultima prova, 25 em 100, para muitos desesperador.

E com serenidade, vulgo falta de juízo e uma vergonhazinha, considero uma nota boa. Não pela nota em si, mas pelo que representa em relação ao meu esforço. Para essa prova não consegui estudar o conteúdo adequado a tempo, estudei uma matéria pré requisito e a matéria da prova anterior, que não sabia adequadamente e a matéria é cumulativa. Caiu uma questão sobre esses conteúdos que estudei e foi o que me garantiu os 25 pontos, ou seja, 100% de aproveitamento.

É claro que vou precisar de bastante dedicação, mas só de estudar para a prova, mesmo que sem abordar todo o conteúdo necessário, já comecei a absorver bem mais das aulas da ultima matéria. Chega o final do semestre eu já tenho um ritmo de fixação e aprendizado melhor e de certa forma passo a entender melhor o ritmo do professor, pena que só no final, ai vem as férias, acaba com o ritmo e semestre que vem a luta recomeça.

A outra disciplina que preciso de mais concentração também segue o mesmo rumo, matéria importante em termos de utilidade pratica e agora consigo entender melhor como o professor valoriza e cobra o conteúdo ministrado. Na última prova fiquei pendurada na média, seria excelente se minha primeira nota não tivesse sido baixa e me resta então a terceira prova para recuperar.

As demais disciplinas que estou cursando preciso de um esforço mais natural para passar, não precisam de tanta coragem e determinação quanto essas duas. E nesses momentos me sinto satisfeita com meu curso pois o aprendizado é efetivo e de certa forma prazeroso. É agradável conhecer dos assuntos práticos, gosto de perceber a aplicação, viabilidade e logica em todo o conhecimento discutido.

É extremamente relevante para mim ter professores capazes de passar visões sobre o mercado de trabalho, sobre as condições politicas atuais e ética e caráter. Gosto de ver dedicação ainda que as notas da turma estejam baixas, ou em determinado dia em que a sala está vazia. Gosto de professor que acredita e incentiva aluno e, de certa forma, instiga para desafios e pela busca do conhecimento.

Gosto de dizer que o bom da engenharia é o modo hard, sem sombra de dúvidas, sob pressão, minha capacidade de aprendizado se torna muito maior. A necessidade de nota me induz uma concentração que não consigo em condições normais de temperatura e pressão. É precisar de notas altas ainda força a necessidade de procurar mais ferramentas, um entendimento mais amplo e a capacidade de lidar com a ansiedade, tão presente na minha vida ou mais, que minha própria sombra.

 

 

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5 comentários em “Um brinde mediocridade

  1. Eu vejo isso em meu filho!
    Ele é tão sem foco quando não é desafiado! Acho que seria tão mais fácil se ele levasse mais a sério desde o começo e não tivesse que correr atrás no final do ano!
    Bom, cada um tem um jeito de levar a vida. Mesmo porque, a fórmula eu não tenho!kkk

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  2. Comigo acontece de começar empenhada e aí no meio do caminho cair pelos buracos da falta de interesse e desmotivação.
    Uma coisa que percebi recentemente, porém, é que o mundo atual, no mercado de trabalho, se exige respostas rápidas e imediatas. Nunca me senti tão grata por ter precisado correr atrás de nota de última hora, de ter tido que colocar 6 meses de matéria em 3 semanas. Me deixou bem mais calma diante dessa necessidade de rapidez que vejo agora. (pelo menos na minha área, não sei se é o mesmo com engenharia)
    Mas acho que de qualquer jeito a gente vai se virando como dá e aprendendo o que precisamos.
    Boa sorte com suas notas!

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    1. Minha irmã também começa motivada e se assusta quando aparece a necessidade de muita dedicação ou algum risco. Acho que viciei nessa satisfação de precisar de muito e conseguir, pena que não é garantido. E o principal é o conhecimento e a capacidade de encarar problemas e dificuldades com maturidade e de uma forma ou de outra estamos adquirindo. Obrigada por comentar! Boa sorte na caminhada por ai também!

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