Bruta flor do querer

1791060701Escrevo enquanto administro a luta entre essa tal bruta flor do querer (e do não querer outras vezes) e a rebelde pedra da obrigação. Planejei um feriado longo e brilhante, com treinos, estudo e muito descanso. E por enquanto, em um ato de rebeldia, fiz do tempo livre um extenso momento de reclusão, reflexão, leitura, escrita e descanso. Muito bonito, senão houvessem um mundo perverso de provas me aguardando na semana que vem.

A eu desbravadora de provas difíceis, munida com uma potente HP foi ler romance. Partiu ir a guerra admirar a paisagem? O pobre Quarto e o caricato Caos estão enjoados da minha presença. É só hoje me atinei para o restabelecimento do mínimo razoável de ordem necessária para um quarto. Há cinco dias com os arquivos de apresentação de slides e livros digitais abertos nas mesmas páginas.

Enquanto as obrigações esperneiam, acumulam se livros, trabalhos e tópicos de afazeres no calendário e agendas eu me distraio com todo o resto, sem nem sair do quarto. Coisas desses universos paralelos, o mental e o virtual, que não permitem que o estudo se torne uma alternativa atraente. Ai me deparo com meu espírito cozinheira, leitora, escritora, filosófica e sei lá mais o quê, que soterram a aspirante a engenheira.

E a vontade só quer saber de receitas, quem sabe um brigadeiro, aquele livro que parei de ler no inicio do semestre. Sinal de necessidade ampliada de férias e a ansiedade com que encaro toda a vida, desde o nascimento prematura, está aqui a contar dias e perder o foco do necessário. Me preocupo com formar logo ao invés de preocupar com uma das três provas de semana que vem.

Nessa brincadeira surgem os paradoxos: permanecer na reclusão e mesmice do quarto que só vem gerando textos e nenhum estudo ou treinar e esperar que o cansaço físico ajude na concentração. Não sei como funcionam as pessoas normais, comigo nunca há resposta certa. Qualquer escolha é bingo ou loteria e um tropeço vai lá e muda tudo. Como é que eu ia imaginar tanto tempo trancada no quarto se até ontem não estava parando em casa.

E como aluna de exatas, engenharia, onde tudo pode e deve ser modelado, o previsto  e o imprevisto. Lançamos mão de coeficientes de de correção vulgo “cagaço”, formulas que ponderam o erro dos cálculos e equipamentos. Enumeramos programas e cenários que simulam as diversas possibilidades de dados não determinísticos e até o que não segue regra é de certa forma mapeado.

Buscamos linearizar, simplificar, controlar e quantificar tudo. E ai dominamos as maquinas, a eletricidade, a dinâmica ou hidrostática. Para o que quer que seja haverão alguns pares de equações, alguns modelos e cenários recorrentes para que todos os acontecimentos sejam estimados e os limites estabelecidos. E das coisas mais simples às mais complicadas, enormes ou minúsculas, parece funcionar perfeitamente bem.

Eis que surge um vilão, o ponto fora da curva, os modelos que divergem: -Cadê seu Deus? Pergunta para as equações e os infinitos modelos e cenários. E quem é que sabe? O danado do comportamento humano que não apresenta explicações nem razoes lógicas. Em geral, principalmente se tratando de brasileiros, não segue regras nem ouve alertas. Não sei como, se é que não, ninguém infringiu as lei de Newton ou de Einstein.

Os planejamentos vão por água a baixo, os procedimentos de segurança são ignorados. O alerta em negrito e cores vibrantes, em frente ao perigo, ninguém viu. Aprendo respostas e métodos para tantos problemas durante as mais diversas aulas. E não consigo resposta para o que fazer amanhã, já desisti de planejar. Alguém sabe explicar porque frente a provas finais dá vontade de plantar bananeira, dançar tchá tchá tchá e jamais de estudar?!

Se houverem equações que descrevem isso esse é o momento triste que surge uma identidade ou que tudo se divide por zero. O programa computacional seria daqueles que carregam infinitamente até o computar esquentar demais e (puf!) desligar. Mania de preguiças e procrastinações que me acompanham desde sempre, um tão de querer o que não devia na hora mais que errada. O problema é que se fosse fácil, não teria graça.

 

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4 comentários em “Bruta flor do querer

  1. Estamos na era da informação onde tudo é acessível e não sabemos mais o que focar… Essa polivalência acaba limitando o aprofundamento em algo… Sabemos e fazemos de tudo rasamente e nos frustramos com a falta de tempo… Às vezes é importante puxar o freio e parar … Boa sorte em tudo…

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