Lendo por ai

Quando meus pensamentos não se alinham nem assumem uma forma coesa e compartilhável, lá vou eu buscar sentido em textos alheios. Tem um Blog, um texto dele em especial, que mora entre meus favoritos há uns 5 ou 6 anos e vire e mexe volto lá para ler esse mesmo texto e as palavras parecem ocupar exatamente o mesmo lugar, possuem o mesmo peso. O que me parece bem esquisito tendo em vista as múltiplas mutações que sofro constantemente. Pelo visto alguns pensamentos conseguem se manter intactos.

É você e vai ser sempre você. Eu já disse isso em outro desses textos meus e não consigo deixar de pensar em como essa frase martela na minha cabeça. Já falei sobre independência e sobre como eu não preciso de você pra nada. Já falei sobre deixar você ir embora e sofrer uma, duas, trinta vezes e mais um pouco toda vez que abrisse a porta e desse de cara com esse seu sorriso de quem ainda tem esperanças de que eu largue esse modo de ser e entenda tudo isso. É você e vai ser sempre você. Mesmo que seja teimosia minha e eu te reinvente a cada dois minutos dizendo pra mim mesmo que você não é nada que eu sempre quis e conte pros outros uma versão diferente de nós dois.

Eu te defendo sempre que meus amigos me dizem que é loucura. Que você me faz mal. Que você me descompleta. Como é que eu vou deixar que falem mal de você na minha frente mesmo que eu esteja te odiando com todas as forças que eu nunca sonhei em ter? Só eu posso reclamar da nossa descontinuação. Só eu posso reclamar dessas invenções de vocabulário que a gente sempre faz tentando expressar isso tudo com palavras que não existem.E por onde você anda? Ouvi dizer que se sentiu perdida, mas também achou melhor não me ter mais por perto. Ouvi dizer que conheceu uma bebida de sabor doce e gostou (apesar de sempre ter odiado sabores doces e amores mais doces ainda). Ouvi dizer que é perda de tempo ficar esse tempo todo pensando sobre como a gente consegue gostar um do outro e cismar em se perder por aí mesmo não tendo problema algum.

Mas a gente se esbarra, eu sei. Um dia a gente se encontra de novo. Seja aqui ou em marte, no céu ou no inferno. Depende da tua religião ou da tua forma de me querer de volta. Um dia eu te provoco mais um pouco e te estrago só mais um pouquinho de um jeito que só eu sei fazer. Um dia a gente se põe lado a lado pra reclamar da vida e acender um cigarro barato pelas ruas dessa cidade. Um dia você esquece o guarda-chuva de novo e eu te dou cobertura, abrigo e um pouco de mim de novo. Um dia desses, quem sabe, a gente não precise se despedir e possa ficar pra sempre nesses nossos joguinhos que só interessam a mim. Vão nos chamar de loucos e desvairados. Mas nós somos jovens, meu bem. É você e vai ser sempre você. E talvez isso não seja tão ruim assim.

Blog: Entre todas as coisas

Essa semana, enquanto escrevia alguma coisa em algum caminho, estava no ônibus, lembrei desse link permanente na minha barra de favoritos já faz bastante tempo. Hoje, acompanhando o facebook encontrei um outro texto sendo compartilhado, deste mesmo blog, com esse mesmo espirito, de texto que vire mexe você se encontra com vontade de ler. E, de certa forma, para mim, ambos pareceram se encaixar.

E agora? Cê vai ou cê fica? O que cê vai fazer desse coração bagunçado que não sabe o que fazer da vida? Cê vai caminhar até a porta dum paraíso pra descobrir que não tinha jeito. Que de tudo que sobrou, esse teu aperto no peito é coisa tua e só tua. Que você tem que decidir se procura rumo ou vive debaixo do sol, esperando alguma coisa, alguma promessa, reza, crença jura (de amor) que vai se realizar e te conceder os pedidos.

O que te faz seguir assim é um palpite.

Tua bagunça tem reparo? Repara que eu não falo isso da boca pra fora, não, que isso, falo com a intenção de te ajudar, talvez guiar, por um caminho que ofereça conserto. Mas nem acreditar em destino eu acredito, imagina quem acredita na cura de um coração partido? Reconstruir as veias rompidas de uma hora pra outra é como crer em milagres e olha, se for da tua fé, acredita, deposita esperança em alguma coisa, se certifica de que vai funcionar e repara. Repara aos poucos pra não se esquecer de nenhuma brecha, repara que eu digo que não tem jeito, mas que eu te ajudo, te dou uma mão se precisar segurar a fita isolante. Isola, mas não se isola, entende? Às vezes faço discursos desconexos na esperança de mostrar alguma reflexão mas me perco. Me pego perdido e te encontro pelo caminho. Será que um dia alguém vai entender de verdade o jeito com que você move os olhos pedindo ajuda?

O que eu posso oferecer é abrigo. Interessa?

Então me deixa ser claro e te explicar uma coisa: corações partidos são reparados com o tempo, com o acaso, com técnicas que a gente nem sabe se funcionam, mas tenta. Acho que na verdade eles se curam da tentativa. Ou nunca curam, a gente que consegue mentir bem pra gente e acredita. Cê mente bem? Mente pra si, mas não tenta mentir pra mim porque eu quero ajudar. As coisas aí dentro tão meio dilaceradas, tua bússola não funciona mais, não dá mais pra apontar pro norte. Então vai pro sul. Vai sentir algo gelado, frio, que peça abrigo e não dê. Sente um pouco do escuro, chora, vai, chorar faz bem e lava o rosto, deixa tuas marcas nas olheiras e põe pra fora. Eu acho que a gente não cura, a gente drena. Drena a tristeza e drena todo o resto até perceber que secou e pronto. Depois de secar, você volta aqui e me diz que não arde, mesmo que esteja ralado. Me diz que montou a bússola no sul e que aquilo lá virou um norte. Isso acontece muito, essa coisa da gente se reinventar, se realinhar, se descobrir do avesso. E faz bem porque a gente explora o tato no escuro. A gente explora os sentidos e põe o instinto pra funcionar mais do que o pobre coração.

Dia desses você volta e redescobre esperança no meio da dor. E me conta que era impossível ter visto antes porque a gente não enxerga bem quando é escuro. Me diz que não sabe pra onde ir, mas que agora a sensação é diferente: você quer ir. Talvez queira ir pra um lugar que não parecia claro, exato, bacana ou coisa e tal. Mas as suas coordenadas mudaram, tua tatuagem é outra, teus modos descobriram um novo jeito depois de drenar a angústia de um coração partido no passado

Blog: Entre todas as coisas

Destino. Coisa curiosa de se imaginar. Tão explorada na literatura e na arte como todo que é difícil não se deixar influenciar. Geralmente quando acontece algo fora do planejado, principalmente de forma negativa, logo me lanço na crença que tem um motivo. É bom, serve de consolo, mas será razoável?

Akai Ito” é uma lenda que diz que quando a pessoa é destinada a outra, ambas têm um laço vermelho que as ligam, no dedo mindinho. O laço pode embaraçar, emaranhar, mas ele nunca quebra. O laço não é visível a olho nu, mas está lá desde o momento do nascimento. Quanto mais longo estiver o fio, mas longe as pessoas estão e mais tristes estarão. Sequer a Morte o rompe, apenas o alarga para se encontrarem em outra vida”

 

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