Livros infantis

 

De volta aos primórdios, na época que pouco entendia da vida (hoje entendo ainda menos, haha) já tinha alguns bons companheiros que me acompanhavam dia e noite pela casa. Nessa época, para mim, livro era mais um brinquedo e por esse motivo eles sofriam as consequências, rabiscos, rasgões os deterioraram a ponto de hoje não ter uma foto decente para representa-los aqui. Esses dois e mais alguns e ou 4, eram meus queridinha na fase que eu estava aprendendo a ler.

O primeiro, da bonequinha cabeluda, ” O cabelo de Quica”, era identificação total. Numa época que fui extremamente vaidosa não era nada fácil lidar com os meus cabelos encaracolados. Como eu gostava desse livro! Não preciso te-lo em  mãos e para conseguir visualizar pagina apos pagina com os desenhos e as poucas frase e parágrafos que contavam a historinha.

Quica odeia seu cabelo, encaracolado, redemoinho, enroscado, foguinho, vassoura, cor de cenoura. Mostrava as tentativas de Quica com chapéus, tranças e tudo mais para domar o cabelo. E todos os efeitos, figuras e tranças que me permitiam tocar e interagir com o representado me envolvia. Como eu me identificava e entendia Quica, meu cabelo só não era cor de cenoura, todo o restante de sensações compartilhávamos.

Já Manuela e Floriana, o caso era diferente, eu e minha irmã, ambas novinhas adorávamos o livro por um motivo inusitado. Tinha um conjunto de palavrões em uma frase que repetíamos tantas vezes que a pagina já ficava marcada. Que criança não gosta de aproveitar uma leitura para infringir a regra de não falar palavrão?! Não lembro a história direito, se não me engano falava de algum namorinho ou coisas assim, o palavrão roubava a cena.

Tem mais um que me recordo muito, principalmente quando estou muito “não”. Lembro de identifica-lo como o do Bichinho do Não, não sei se era esse o nome. Tinham várias paginas que haviam “não’s” escrito para todo lado e contava que o menino nunca queria nada, algo assim. Não lembro direito também, gostava de ler enfaticamente os “não”, acho que gostava da sonoridade do livro.

Minha irma contava várias vezes, de tanto pedir para ouvir já havia decorado, a história de João e o Pé de feijão. – Ai, o menino foi, xubiu… xubiu… xubiu… Repetia várias vezes sem ter decorado o nome do menino. E passava as páginas confiante de dominar tudo o que ali era contado. Sempre encaramos os livros como brinquedo e presente, assim como as revistinhas da Mônica e outras obras voltadas para crianças.

Um dia desses, conversando sobre presentes para crianças, sugeri um livro e vi reações diversas. Me disseram: – Criança dessa idade, não gosta de livro. E, as vezes, acho que atitudes assim parecem egoismo de adultos que não foram apresentados ao encanto da leitura. Uma das minhas rotas de fuga e distração é a livraria, me perco entre títulos. E quando vejo a sessão infantil, vejo brinquedos incríveis, cloridos com possibilidades de interação ou não. As crianças valorizam aquilo que aprendem que tem valor através da conduta de pessoas que servem de espelho para elas.

 

 

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11 comentários em “Livros infantis

  1. Quando era criança, bem criança mesmo, meus livros favoritos eram os da Bruxa Onilda. Eles eram tão incríveis que lembro de ter criado uma missão de ler todos os livros dela, mas eram muitos! Acho que ainda tenho uns quatro por aqui, depois vou dar um olhada ^^
    Rá, os únicos presentes que dou são livros, ainda tenho esperança de salvar alguma alma kkk
    Mais uma vez, texto genial, Anna! São tantos aqui nesse seu Caos que nunca sei o que comentar sem ficar repetitivo, acho que terei que fazer uma jornada em busca de mais adjetivos pra senhorita 😉

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    1. Bruxa Onilda! Adorava também! Não sei se li todos… Mas li todos que achei muito provavelmente. Caçava ele nas bibliotecas de escolhinhas! Fico feliz quando sei que a pessoas vai gostar de ser presenteada com um livro e que ainda teremos possibilidades de dividir opiniões sobre a leitura…

      Curtido por 1 pessoa

      1. Você também leu a Bruxa Onilda? Isso é oficialmente incrível *-*
        Nah, nunca dei muita sorte com as “vítimas” dos meus livros, é quase um sonho ver uma discussão resultante de um livro-presente :’)

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      2. Kkkkk que legal!
        No meu caso, foi “Bruxa Onilda vai a Paris”, eu idolatrava esse livro! Li tanto que aprendi de cor a história e as falas de todo mundo. Por exemplo, agora acabei de me lembrar da feira que ela visita, e faz quase vinte anos que li esse livro :~

        Curtido por 2 pessoas

      3. Kkkkk é mesmo, o desenho!
        Rá, você é das minhas, Anna: tenho um fraco secreto por filmes infantis, especialmente os mais antigos (Fantasia ainda é uma obra de arte praticamente imbatível). Mas shh, não espalhe :~

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  2. Oi Anna! Que legal esse post sobre sua relação afetiva com os livros na infância. Eu também guardo alguns até hoje. Acho que os adultos que não viveram essa experiência precisam descobri-la junto com as crianças, ainda mais hoje em dia que temos livrarias enormes, com parte infantil caprichada pra passar umas horinhas nas almofadas ou poltroninhas com os pequenos. Beijos!!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Sempre há tempo para aproveitar as coisas boas. E a necessidade de recrutar clientes tem uma capacidade gigante de produzir coisas atraentes. Falta vencer alguns preconceitos e ensinar a leitura como brincadeira não como obrigação. :*

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