Trégua – Sembustível

O pais em crise, a cidade um caos e nesse rebuliço encontro um pouco de paz. Entendo a importância da luta, a gravidade dos problemas a necessidade de ação. Mas ainda assim me permito repousar. Estou as vésperas do final de semestre que a cada semestre carrega mais expectativas e pressão e tive oportunidade de parar, dormir bem, comer, conversar.

Nada melhor que uma mega crise para gerar reflexão e evidenciar a má índole sempre vigente no dia-a-dia. Um show espetacular de individualismo e falta de consciência coletiva, os problemas políticos e acusações ou farpas por escolhas ideológicas e diferentes pensamentos. Mas, em meio a tudo isso, é bom ver os raros momentos de união e apoio a determinada causa. É sempre aquele misto de atitudes ruins e boas.

O objetivo agora é retomar os estudos renovadas e salvar algumas matérias já em situação critica. É ter energia para encarar a escolha do tema do TCC e um possível orientador que tem sido um mega tabu para mim. Sei que é recorrente que o trabalho de conclusão de curso seja apenas um documento minimamente coeso e interessante, principalmente a nível de graduação, que mostre alguma capacidade de redigir relatórios para que o estudante se mostre apto ao mercado de trabalho.

Mas eu, estudante de escola pública, por acaso de qualidade bem acima da média, usufrui e ainda estou usufruindo da rede publica de ensino superior, gostaria é muito de conseguir contribuir, de alguma forma, com meu TCC que seja para a sociedade que permitiu que eu estudasse.

Pois bem, não sei se nesse caso querer é poder e pode ser mais um desses meus desejos impossíveis e inalcançáveis. Mas a questão energética a nível mundo devia ser amplamente discutida, pelo menos no meu ponto de vista, por leigos especialistas e todo mundo que tivesse disposto a debruçar sobre o assunto pois precisamos de respostas. Não me sinto capaz de trazer soluções mais gostaria de incentivar mais gente a discutir e buscar soluções.

Vivemos uma crise que tomou proporções alarmantes em pouco tempo e simplesmente não temos nem como recorrer ou prolongar certa sustentabilidade local. Mas será realmente necessário ficar tão refém de combustíveis fosseis, do transporte rodoviário, de alimentos que cruzam o pais? Quantas vezes as possibilidades de menor dependência energética são negligenciadas por arrogância ou preguiça.

A caminho do brejo
Cora Ronái
A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia
Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.
Aquelas alegres viagens[…]. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos.
Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.
A lista não acaba.
Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.
Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.
Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.
Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.
Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.
Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais. Enquanto isso tem gente nas ruas estourando fogos pelos times de futebol!

Pouco sei a respeito de tudo que está acontecendo, devido a falta de experiencia e conhecimento. Só me resta aprender e ter esperança de conseguir ajudar a melhorar o que está por vir. Registro aqui apenas alguns preâmbulos e, ainda que não goste de me posicionar politicamente, a visão de alguém que critica tudo que vem ou não sendo feito.

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