Etapas de transição

No ano de 2010 vivi uma etapa de transição, de certa forma assustadora. Depois de 7 anos na posição confortável de aluna do mesmo colégio, com os mesmo hábitos, mesmas roupas, sujeita as mesmas regras me vi despedindo de tudo para encarar o novo. Depois de tanto tempo, tudo era conhecido, prático, os caminhos eu sabia de cór, os monitores eram bons amigos, os colegas como uma família.

7 anos antes havia passado pelo mesmo processo e foi um misto de deslumbrante e aterrador. No meu estilo mineira de ser, sempre quieta e ligeiramente assustada, lá no ano de 2004, com uma farda grande demais para atender as expectativas de meus pais que  eu cresceria muito ainda. Longe demais de casa para receber a ajuda de sempre mas extremamente curiosa e tímida demais para interagir o minimo que fosse.

Em 2011 iniciei a longa saga que perdura até hoje na faculdade de engenharia. Mudei completamente meus hábitos, de sedentária a viciada em esportes, ainda meio tímida meio antissocial, mas dentro dos desafios pessoais me tornei, de certa forma, capaz de vez ou outra quebrar meus próprios bloqueios. O jeito geralmente quieta permanece, a vermelhidão das bochechas em qualquer situação atípica mas hoje caminho com a segurança de quem sabe o que quer, o que as vezes é verdade.

Todo esse blábláblá para chegar ao ponto que, mais uma vez, sabe-se lá por quanto tempo, estou em mais uma etapa de transição. E como característico desse tipo de processo, ficamos mais lá do que cá. Vive-se de expectativas ou projeções e gasta-se mais energia a trabalhar pelo amanhã do que pelo hoje ainda que o hoje seja fundamental.

A área de engenharia elétrica é ampla, só aqui na faculdade que estudo o curso é dividido em 5 habilitações. Mas reza a lenda que o mercado de trabalho não está muito interessado nessas habilitações e pede apenas que saibamos sobre engenharia elétrica que no caso é um mundão de coisas.

Para melhorar ou piorar, ainda não estou certa de qual dos dois, o mercado tem se modificado e consequentemente as formas de seleção e os processos seletivos. Agora o conhecimento técnico é apenas mais um requisito não menos importante, mas também não mais. E os conceitos de gestão de pessoas, de inteligencia emocional, capacidade de aprendizado e outros mais abstratos como coragem, empatia, ética (nem tão abstrato) perpassam candidatos e selecionadores.

Eu, na verdade, acho isso incrível. Perceber que ao escolher a equipe que vai tocar determinado setor de uma empresa pensam na confiança entre partes e na sinergia que colocará o coletivo para se alinhar. O que mais se ouve em processos seletivos para trainees é a busca por paixão, brilho nos olhos, inconformismo e um termo que aprendi hoje, senso de dono.

Acho que esses conceitos começaram a me envolver a partir do momento que eu comecei a praticar esportes ativamente. Num panorama geral, sou uma pessoa bem intensa que gosta de desafios e persegue os resultados quando motivada. Mas o esporte é sem dúvidas uma maneira clara e obvia de perceber a entrega, paixão e o brilho nos olhos tudo junto, de imediato num único lance.

Nesse ponto o Rugby é um esporte genial, principalmente quando se trata da modalidade sevens, que são poucas jogadoras, no meu caso, para cobrir o campo o que faz de cada uma essencial. As oportunidades que tive de disputar campeonato foram todas em condições difíceis, com muito menos jogadores reservas do que é recomendado. E cada lance era uma oportunidade de se entregar e perceber a entrega das companheiras de equipe.

Nesse contexto perdíamos, saiamos até bem machucadas, mas satisfeitas pela doação por completo, pela energia da equipe, pela esperança de melhores resultados com condições melhores na próxima rodada. Acho que esse tipo de sentimento é o gosto da satisfação e do trabalho com comprometimento é uma das forma de vitoria que supera os resultados. Tem casos que superar determinado obstaculo ou até mesmo resistir em alguma situação desfavorável é digno de comemoração.

Plena madrugada outra vez, e foco sem sombra de dúvidas não é um ingrediente do texto. Mas passa por ai o raciocínio daquilo que acredito que esteja por vir, passada essa etapa de transição que vivo agora. Busco processos seletivos, alternativas, ideias inovadoras, aprendizado, ferramentas, dicas, relatos de mais experientes. Tudo querendo experimentar sensações, arriscar previsões e imaginar o que o futuro me reserva.

As possibilidades são inúmeras,  o que não torna os desafios menores. Hoje não tenho o domínio da língua inglesa que a minha ambição exige e vejo o tempo correndo contra minhas possibilidades de me adequar. Quando a paixão, brilho nos olhos e inconformismo acho que vivo essas coisas desde sempre e acho incrível que tais características possam contar pontos. E, além do inglês, vira e mexe surgem os bloqueios de timidez, que atrás da tela do computador, sem câmera, nem áudios pode não se manifestar, mas no dia-a-dia aparece em momentos inoportunos.

 

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