Por trás da tomada

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Já mencionei diversas vezes por aqui, sou estudante de engenharia elétrica e sempre ouço as mesmas perguntas. A primeira, clássica, se troco chuveiro. A resposta: Na teoria sim, na prática nunca fiz, mas pretendo arriscar em breve. A segunda é meio tímida, como quem não quer nada, sempre perguntam: – Mexe com poste? Enfim, tem a ver com poste e infinitas coisas mais.

A eletricidade é peculiar e traiçoeira exige precauções, cuidados. Por trás da energia que atende as pessoas em suas residências tem uma infinidade de processos, cálculos e pessoas envolvidas. Hoje em dia, pelo pouco que pude conhecer superficialmente de alguns processos envolvidos tenho muita admiração por toda essa estrutura complexa que serve para nós atender ainda que esteja em constante evolução e tenha mais falhas do que se é desejado.

Tudo começa lá na escolha da matriz energética, um pais extenso, com muita água disponível naturalmente opta por hidrelétricas e tem um custo baixo de operação e uma fonte de energia limpa. Ótimo, pena que não é só isso. O uso da água envolve diversos estudos e analises, existem vazões mínimas de rios que devem ser respeitadas, estações com excesso ou escassez de chuvas e tudo isso converge para uma dificuldade relativamente grande de prever as condições de geração e as capacidades atreladas as condições meteorológicas.

Uma alternativa para aumentar as garantias de atendimento seria a disponibilidade de reservatórios para armazenamento de água em estações chuvosas que cobririam estações mais secas. Porém esse tipo de pratica impacta em uma série de problemas sócio ambientais por gerar alagamento que pode comprometer a diversidade de espécies, desapropriar moradores e até mesmo emitir gases por causa da decomposição de vegetais, entre outros fatores.

Outro importante ponto é o longo tempo necessário para construir uma usina hidrelétrica que é uma obra robusta e, geralmente passa por diversos processos burocráticos afim de atender, entre outras coisas, exigências ambientais importantes. Pode tornar um empreendimento de pouco interesse politico por esse motivo, não é um bom investimento para aqueles que planejam apenas sair bem na foto de inauguração, provavelmente não ficará pronto em um mesmo governo.

Uma característica interessante é que o regime de chuvas de certas regiões do Brasil apresentam precipitações típicas complementares, de forma que quando é seca no sul é período úmido no norte e torna-se extremamente interessante manter todo o sistema conectado de forma que, quando o norte tiver escassez de água pode receber colaboração do sul e vice e versa.

E ai que caímos em mais um problema, a necessidade de transporte de energia. E, com a tecnologia acreditamos que tudo tende a ficar mais fácil, e sob certo ponto de vista é verdade. Entretanto, dentro de projetos complexos é uma dádiva uma nova alternativa mas também representa mais pontos de analise, mais variáveis e até mesmo mais interesses divergentes. Quando se fala em interesse divergentes penso na questão politica e comercial, em obras e processos licitatórios no Brasil há sempre o risco de corrupção e vantagens inadequadas que podem influenciar nas decisões finais.

Para transporte são especificadas, mapeadas, avaliadas, de todas as formas possíveis as linhas de transmissão mais adequadas. Então dentro do planejamento, que é feito a longo, médio e curto prazo, são avaliados constantemente alguns desses pontos. Em relação a implantação e expansão do sistema as analises iniciais são feitas a longo prazo com equipes enormes de pessoas muito capacitadas.

Portanto, com todas essas questões que fogem do controle de qualquer profissional é altamente recomendado a diversificação da matriz energética. Outro forte argumento para afirmação anterior são os registros de black out recente que preocuparam a população e autoridades, assim como a tendência atual de expansão da geração eólica, fotovoltaica e, de forma geral, da geração distribuída, com painéis solares em residências e empresas de pequeno e médio porte.

Então a diversificação da matriz energética resolve o problema? Não! Como também torna a analise do sistema mais complexo, com mais variáveis e com mais alternativas. No Brasil, a titulo de reduzir o risco de desabastecimento (vulgo apagão) a alternativa adotada foi a construção de térmicas que são obras menores com diversas opções de combustíveis e tecnologias.

Esse mês tive a oportunidade de visitar a usina térmica de Juiz de Fora, que é bicombustível na teoria, tendo em vista que a utilização de etanol não se mostrou vantajosa, foi apenas uma escolha politica, que demanda uma complexidade logística que inviabiliza o uso. Foi muito interessante conhecer as peculiaridade da planta local que tem por característica a entrada e saída de operação rápida o que lhe confere uma operação de apoio em períodos de maior sobrecarga do sistema.

É quanto as renováveis que em diversos discursos parecem ser a resposta de tudo que temiamos? Bem, geralmente, no ambito de engenharia principalmente, quando fala-se de alguma alternativa sem problemas ou falhas é recomendado desconfiar. No panorama atual a eolica vem tomando representatividade assim como a energia solar em pequenas escalas que no final das contas não ganha tanta representatividade tão rápido.

São possibilidades importantes, em países da Europa, com condições de incidência solar ou de ventos menos favoráveis que no Brasil, já existe a exploracão constante e um bom aproveitamento dessas fontes. Mas, essa diversificação de fontes energéticas impacta diretamente num problema de operação do enorme sistema brasileiro e aliado a isso esbarra com a necessidade de renovar, inserir mais inteligência e comunicação, enfim muito trabalho pela frente.

Acho que citar o problema que se tem ao mencionar comunicação no âmbito nacional nos tempos atuais não pede muitos argumentos. Com que qualidade os celulares fornecem internet, e as redes de empresas se mantém funcionando ou com que recorrência temos problemas de comunicação no dia-a-dia de forma geral? Não sei se consegui compartilhar, mas com essas perguntas já se monta um panorama caótico de lembranças e falhas em minha memoria.

Num quadro de quarta revolução industrial, com a necessidade de renovação e globalização em todos os níveis de trabalho. Se fala em Industria 4.0 e seu alto teor de conectividade, simulações complexas, interações e tudo em tempo real.  Nunca sei se existe no Brasil um mundo paralelo dos endinheirados onde esses problemas não existam, mas na minha visão de reles mortal são muito os desafios.

Por fim, a intenção de tudo que foi exposto foi comentar um pouco da complexidade que gira em torno de eletricidade no Brasil. Não sou grande conhecedora, pelo contrario, possivelmente nem tenho conceitos importante solidificados e desculpem caso hajam muitos erros. E, como boa curiosa, divido um pouco do que não imaginava antes mais escuto falar hoje em dia e considero extremamente interessante. Não sou a mais coesa das pessoas para explicar conceitos amplos e processos extensos mas o setor elétrico brasileiro conta com varias paginas interessantes que permitem o esclarecimento de questões relacionadas ao tema como : ONS, EPE, CCEE, MME .

 

 

 

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2 comentários em “Por trás da tomada

    1. Confesso que a parte de instalações elétricas não me desperta interessa… kkkk É massante e repetitivo. E quanto as tomadas, acho que não foram feitas para ser entendidas… o padrão atual utilizado no Brasil tem justificativas interessantes mas a falta de padronização gera problemas que podiam ser considerados.

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