Destino ou acaso, cá estamos

Não é de hoje que sou completamente curiosa com novidades, tendencias, mudanças e alternativas. E, mesmo sem muita religiosidade sempre busquei respostas nos acontecimentos cotidianos. Foi em um contexto de insatisfação e busca por respostas no acaso que fui onde jamais esperaria ter ido.

Tudo bem confuso, do meu jeito. Mas vou tentar me explicar. Faço engenharia, por pouco tempo me envolvi com entidades acadêmicas,  até que descobri uma habilidade que durante todo o tempo de colégio nunca se manifestou, que me deixou profundamente ligada ao esporte e pouco ligada ao meu curso pela discrepância de tempo dedicado a atividades tão divergentes.

O esporte, devagar e sempre, foi me proporcionando autoconhecimento, me afastando de tudo que me deixava insatisfeita e, têm sido um pouco minha fuga daquilo que não alcanço nas demais áreas da vida, um orgulho, distração, satisfação e todos os benefícios dos esportes em geral. Ainda assim nunca planejei seguir essa área profissional, quero como Hobbies para o resto da vida, mas tenho também uma ligação grande com a engenharia e tudo que ela pode proporcionar.

Vale mencionar que meus pais sempre se preocuparam com todo tempo, dinheiro e energia gastos com esportes em detrimento da engenharia. Não sei se o retorno que recebi por dentro, em relação a minha evolução como pessoa, ficou tão evidente para quem enxerga o que está por fora, possivelmente não e, talvez por isso sempre precisei lidar com questionamentos de meus pais.

Então comecei a notar que meus colegas estavam atentos a oportunidades que eu vinha negligenciando e enquanto os demais buscavam intercâmbios e estágios eu estava crescendo e evoluindo em outros âmbitos, que eram carências que eu tinha, sentia necessidade de me desenvolver mas me absorveram a ponto de me afastar de outras necessidades.

Foi meio inesperado que fiz desses testes de processos seletivos e, com surpresa, acabei sendo aprovada e com mais surpresa ainda descobri que, aparentemente, não havia uma alma que não tinha tentado na cidade. E, veja bem, de camisa social emprestada, completamente desconfortável perante a experiencia nova, lá fui eu, prestar meu primeiro processo seletivo presencial.

E, completamente insegura e ansiosa, encontrei conhecidos e desconhecidos, alguns ainda mais inseguros que eu, mas outros que pareciam ter completo domínio da situação. Mas ciente de que era uma tentativa que tinha mais chance de dar errado do que certo, busquei o meu melhor. E, em situação de nervosismo não pude controlar as manias de caretas, meu jeito metódico de pensar vivencias e analisar passagens. E, como me é comum, exagerei na sinceridade e na humildade de acreditar que só me restava ter carinho e gratidão por tudo que havia vivido e passado.

Na dinâmica em grupo, comecei assustada, com muita energia, preocupada com a insegurança do grupo que no final foi ótimo para coerência de proposta, o alinhamento de ideias e sai de lá satisfeita de ter tido uma primeira experiencia honesta e espontânea. Até que tive a surpresa de descobrir que estava no seleto grupo de selecionados, enquanto outros com notas superiores e comportamento seguro não haviam alcançado o mesmo resultado. Fiquei extremamente satisfeita e ansiosa para a próxima etapa.

Um estágio representa além de um dinheiro bem relevante no final de mês, vida de estudante pobre não é fácil, a experiencia e esperança de entrar em uma empresa, assim como o premio de ter sido selecionado em meio a diversos candidatos. E eu fiquei bem satisfeita e fui para a entrevista ciente que só de ter chegado até lá já era uma surpresa e um incentivo a todas as apostas que fiz durante o colégio e a graduação.

A entrevista foi mais um bate papo bem humorado super confortável e divertido, tanto que nem acreditei. Confesso que no mesmo dia fiz o exame de faixa azul no jiu-jitsu que envolveu muito mais pressão e nervosismo. A entrevista me fez voltar sorrindo para casa, ouvi consolo, apoio, incentivo e culminou com a apresentação de qual função estava sendo ofertada.

Resumindo: não tinha o que dar errado. Mas deu. Depois de mandar documentos, dados pessoais, números, registros. Não recebi mais nenhum contato, depois de inúmeras vezes encontrar diversas chamadas perdidas enquanto eu treinava. Depois de planejar e replanejar reduzir as horas de treinos, aprender um trajeto novo de casa para a empresa. De programar com calma as matérias que ainda seriam viáveis no próximo semestre. Os primeiros desejos agraciados com primeiro salario. Deu errado.

Isso acontece, prometi não deixar a peteca cair, por mim, para mim. Em paralelo a isso estava vivendo um ano em meio êxtase, por ter ganhado a proximidade de um daqueles amigores platônicos a distância que já há alguns anos morava em minha mente e alma mas que apenas naquele ano passou a morar em minha cidade. E então escolhi minha próxima prioridade, tentar aproveitar essa presença que me alegrava só de lembrar.

E o pequeno gafanhoto quebra a cara novamente, como já se pode imaginar. Enquanto seu plano era curtir a presença o plano da presença deve ter sido curtir a ausência. É até difícil contar a quantidade de bolo, choro engasgado, horas sem norte esperando se haveria resposta ou se ficaria assim, esperando, sem desculpas, sem pesares, sem direito a justificativa.

E, nunca fui muito de atender telefones, mas como estava esperando a resposta do estágio, que naquela época já estava absurdamente atrasada e desesperançosa. Enquanto curtia o clima fúnebre de espera e bolos, recebi uma ligação. Era um colega, que naquele momento nem entendi o nome, disse que só de fazer engenharia eu era empreendedora e que tinha uma proposta caso eu comparecesse em um evento naquele mesmo dia a noite.

Parecia um convide para prostituição na Turquia, mas como meu outro plano era curtir a frustração de n bolos consecutivos, achei Turquia uma boa. Cheguei em casa, assustei minha mãe relatando a história e me arrumei para sair. Desesperada minha mãe foi averiguar, e quem já caiu nesse conto, creio que hoje não é novo nem pouco conhecido, já sabe que era nada mais nada menos que o tal marketing multinível.

E foi dai que tive minha primeira vivência com o tal empreendedorismo, volta a conta em uma próxima postagem tudo que vivenciei dessa escolha.

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