Jornada de Inglês

Não são poucas vezes que com gratidão digo isso: Fui extremamente privilegiada por ter estudado ensino fundamental e médio em um colégio de qualidade e disciplina acima da média que me proporcionou ensino de qualidade, atividades extra curriculares, boas lembranças e bons amigos. É claro que tudo isso contribuiu para o acesso a uma universidade federal entre outras coisas.

Além da qualidade de ensino de forma geral, outros legados sempre são destacados nos comentários de ex-alunos e como consequência da sociedade de uma forma geral. Um deles é a grande quantidade de alunos que saem do colégio, apenas com conteúdo visto lá dentro fluente em inglês ou bem próximo disso.

Mas esse jamais foi o meu caso. No primeiro ano do colégio, que me encontrei pela primeira vez com a língua já não tive nenhuma simpatia e foi disparado a matéria que me sai pior. Por mérito de uma professora completamente dedicada, disposta e divertido a barreira reduziu o suficiente para manter as notas dentro da média, que no momento era suficiente, para um pequeno gafanhoto de ensino médio o importante é ser aprovado.

É realmente no colégio havia diversas oportunidades de usar o inglês, se interessar e se motivar a estudar. Porém, nunca fui público para elas ainda que até hoje tenha curiosidade sobre como eram os eventos de Halloween, Harry Potter day, Dia de ação de graças e diversas outras atividades que aconteciam ao redor do clube de inglês.

Nunca me senti à vontade com a língua, criei uma barreira gigantesca que me afastava da necessidade de falar, qualquer apresentação de turma metódica e completamente previsível me deixava completamente ansiosa e assim passaram se anos. Sempre honrando com meus compromissos de frequentar e prestar atenção nas aulas, tirar pelo menos médias nas provas e estudar o mínimo necessário para fazer provas pura e simplesmente.

Na faculdade que você já se torna responsável por suas próprias escolhas e culpado dos próprios erros, a clara necessidade de comunicação em inglês surge e na rotina mental sem sempre cabe um curso de idiomas regular. Até porque no ritmo de engenharia e toda a não muito incomum má gestão da própria grade e do próprio tempo, dificilmente uma língua estrangeira receberá a atenção necessária para o aprendizado ser efetivo.

Curso de línguas já não é barato e pensar que não vai receber a atenção demandada é realmente preocupante. Sem contar o custo financeiro e de tempo para deslocamento, atividades extras. Recorri por vezes ao que tinha ao meu alcance: disciplinas de inglês instrumental na universidade, do inglês sem fronteiras, dos aplicativos de celulares, o interesse por músicas em inglês e durante uma época até a leitura de livros em inglês.

Nada do que tentei foi em vão, porém nada foi efetivo para me tornar fluente. Nos momentos que fui intimada a me apresentar, apresentar trabalhos ou me comunicar sempre foram situações de certa forma tensas. E com o avançar do curso e frequente busca de oportunidades no mercado de trabalho a necessidade aumente, com ela a frustração e a busca de alternativas que sempre se apresentam lentas demais frente a necessidade.

Busquei cursos onlines, baixei diversos aplicativos, selecionei material de cursos que fiz no passado sempre esperando que em algum momento essa barreira que me afasta desse objetivo de alguma forma se desfaça. E eu sou um tipo de pessoa disciplinada e determinada, não desisto fácil e, em geral não me abalo com dificuldades, mas o inglês já estava me levando a um limite.

Foi aí que recentemente o ápice da necessidade se desenhou. Mais do que para aumentar minha empregabilidade, para ter mais chances de ser selecionada e disputar alguma vaga, para cogitar uma vaga de Trainee em uma multinacional, uma vaga de engenheira. Eu simplesmente tenho uma competição fora do país marcada, a presença confirmada em eventos internacionais completamente ministrados em inglês e seria muito decepcionante perder uma oportunidade dessas.

Nunca fui de fazer tempestade no copo d’agua nem de me deixar desestabilizar com dificuldades apesar desta estar se prolongando mais que o esperado. Mas para me servir de consolo sempre comparo com outra dificuldade que tive em um momento da vida: a escrita. Nunca me faltaram ideias, sempre gostei de ler e me interesso por conhecimento e assuntos variados, no entanto, sempre escrevia textos com pouca personalidade, nunca ia além.

E mais uma vez fui presenteada com professores habilidosos que me instigaram com conteúdo que conseguiram arrancar de mim o conhecimento e a escrita que a timidez não me deixava mostrar. E de repente as notas tímidas se transformaram e eu que me sentia uma aluna de exatas, me vi com destaque e boas notas em filosofia, sociologia, literatura.

O problema era então saber como essa chave ia virar em relação ao uso do inglês e não adiantava cursos, vídeos, aplicativos que não me exigisse protagonismo. E chats onlines, simulações de entrevistas e discussões que o inglês era muito presente eu simplesmente me permitia apagar e não interagir. E a barreira parece só crescer ao invés de diminuir.

Finalmente encontrei algo que de fato tem me ajudado com essa dificuldade. Há mais de um mês faço nove horas por semana de curso de inglês, três horas por dia, três vezes na semana. Assim falando pode parecer cansativo, é muito tempo dedicado, mas até então não teve nenhuma aula que olhei para o relógio ansiosa para que o tempo passasse.  

Já começa em um formato personalizado e inovador, não fico em uma sala de aula esperando absorver conhecimento de um professor, distante, pouco acessível ou detentor da verdade e informação. Faço parte quase de uma mesa de reunião, lotação máxima de nove pessoas contando o professor, que por sinal muda com certa frequência o que é bem interessante que permite que os alunos tenham acesso a vários pontos de vista daqueles conteúdos mais complexos.

Como falei desde o início, sei de muita gente que aprendeu com método tradicional, se encontrou, teve o tempo suficiente, o interesse a dedicação. Já no meu caso esse método foi acolhedor e um acalento para aquele embrião de frustração que já minava aqui por dentro. De algo que nunca me interessei por estudar a algo que paro lendo a respeito uma madrugada inteira se tiver conteúdo acumulado para tal, me sinto então capaz de transpor a barreira de outrora, ainda que um passo de cada vez.

E repetindo frases muito utilizadas, sintetizando padrões de fala, simplificando para tornar viável e gradual a comunicação vou ganhando segurança para arriscar sujeitos, objetos, preposições e tudo é brincadeira. Não se trabalha naquele sistema binário de certo e errado, ainda que a todo momento receba um convite a usar o termo mais adequado, a pronúncia que não tenha risco de confusão.

Tem sido um aprendizado confortável, tem sido uma experiência agradável, tenho feito amigos no caminho, contatos. Agora gosto de inglês, sinto-me feliz quando tenho a oportunidade de desvendar um texto, de tentar ouvir sobre algum assunto, de decifrar uma série com legenda em inglês. Sou extremamente grata por descobrir o sistema 3 e torço por todos aqueles que se sintam ou se sentirão da mesma forma que eu tenham a mesma oportunidade, tem sido incrível!

Mais do que um trabalho profissional, com profissionais que acreditam no que fazem, pessoas que sempre te recebe com sorriso, professores que ensinam para pessoas reais, com anseios, desejos e receios. Pessoas que comemoram vitórias, entendem limitações, incentivam avanços. Me sinto compartilhando aprendizado e evoluindo junto com gente que trato pelo nome de personagem e que não deixa de ser personagem de uma bonita história de superar dificuldades e seguir em busca de conhecimento e independência linguística.

No primeiro dia de aula, escolhi meu crachá com nome, profissão e país de origem, assim como os demais colegas de classe e somos convidados a compor o personagem à medida que os assuntos vão sendo inseridos nas aulas. É uma perspectiva excelente, nos permite trafegar por assuntos novos e trás uma irreverência de ser permitido ser que você não é todo dia.

Me sinto bem próxima de realizar um sonho, pois as dificuldades que foram se edificando no caminho pareceram tornar o momento que essa limitação se desfizesse o mais solene possível. Mas agora mais que isso, torço para que tudo continue dando certo para que eu possa voltar e fazer as demais línguas disponíveis, que se é agradável da forma que tem sido aprender, quero me tornar poliglota!

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10 comentários em “Jornada de Inglês

  1. Que bom que estás conseguindo vencer a barreira! 😀
    Eu Tive um inglês muito fraco na escola. No curso técnico, fiz um ano de curso no CEFET mesmo, no clube de línguas, mas não passou disso, foi pouco. Conseguia ler, e escrever, mas falar? Nada. Até que vim para Portugal e fui trabalhar e adivinha só? TINHA de falar. Aprendi na marra… lol
    Melhor aprender antes 😉

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    1. Até aprendendo nesse processo gradual que é bem legal, passo pelo frio na barriga de em uma situação fora de contexto e sem apoio precisar dá retorno aos estrangeiros que auxiliam a aula já é bem tenso! Até no colégio mesmo lembro de pequenos traumas de precisar apresentar trabalhos… Não é nada bom falar na marra e o que dirá a trabalho! Tem me feito muito bem trabalhar isso… 😀

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  2. A primeira parte da sua história parecia q estava escrevendo sobre mim, só q em holandês. E até licenciada em Civil, eu sou.
    Ainda não envontrei o meu caminho no holandês, e isso deixa-me muito em baixa. Será q é o gosto pelos números q atrapalha? Acho q não. Experimentei 2 escolas diferentes. Penso em criar o meu próprio método, pois sou tb disciplinada com os estudos.

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    1. Eu acredito que essa seja uma dificuldade comum para certo perfil, no meu caso tem muito a ver com timidez e dificuldade com usar uma língua sem dominar o suficiente. Até o mérito de ler muito e ter gostar de usar um vocabulário mais rico acho que pesa negativamente nesse caso. As vezes é interessante para você entrar em contato com os idealizadores do sistema 3, eles se tornaram meio que franquia e querem expandir… talvez seja um caminho interessante, eu ainda estou cursando a metade do primeiro módulo, mas desde quando ouvi a proposta deles adorei o método! Eles já oferecem aulas de inglês, espanhol, francês e russo. Se não me engano existe filial fora do Brasil.

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      1. Eu não sou mto tímida, mas tb tenho essa característica de usar um vocabulário elevado no falar, e acabo até por esquecer o simples.
        Procurei no Google e vi um.filme. As aulas de holandês são um pouco assim, mas na sala dividem em micro grupos e a professora só pega uma parte da conversa.
        No caso do inglês, francês e até do italiano é mais fácil pq de alguma forma já tivemos contato com algumas palavras e a pronúncia. No caso de outras linguas como o holandês é complicado. Tudo é novo.

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      2. Verdade, o curso é em um ritmo bem puxado para quem está vendo o idioma pela primeira vez… Acho que já ouvi falar sobre o holandês ser um desafio bem grande e esse mercado de educação personalizada é super interessante e promissor. Até porque antes de compartilhar essa dificuldade com mais frequência, realmente acreditava ser singular e pessoal, mas tenho encontrado mas relatos similares e é bem legal que soluções criativas apareçam na mesma medida.

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