Um caos trancafiado no quarto

Esse era o ano. Ano da esperada formatura de fato aconteceu. Ano de procurar emprego. De conseguir viajar de moto aos finais de semana. Ano com tempo livre para empreender, tempo livre para me dedicar mais a ONG. Para aprender, ler, me alimentar melhor. Me tornar mais social, fazer ainda mais amigos e curtir mais os que já tenho.

Eis que deu errado. Completamente errado. Impressionantemente errado. Foi epicamente louco. Simplesmente hoje faz 1 mês e uma semana que eu não saio de casa, com exceção de quinze, talvez menos, míseros minutos que gastei para ir até academia pegar um equipamento emprestado. Que falta a liberdade faz!

Maaaas, não adianta lamentar. O jeito é aceitar e fazer o que tem ao alcance. A boa é que um monte de gente fazendo merchan liberou conteúdos online, a péssima é que o noticiário está pavoroso e a situação politica do país não está melhor. E ai começa o malabarismo de saúde mental, física, aprendizado, economia e busca por empregoooo!

Fiquei um tempo ausente, nem eu sei mais quanto tempo tem, pois essa rotina mono-ambiente dificulta a percepção de passagem do tempo. Eu já sou uma pessoa que frequentemente não segue o fuso horário local ou hábitos alimentares. Já tive um período de troca do dia pela noite. Agora já retomei o usual e padrão.

Acho que além da surpresa frente a pandemia mundial vivi um outro choque. Antes do isolamento começar eu, sem emprego, com a graduação finalizada, país viajando, estava praticamente sozinha em casa. Carna-faxina, frequentemente indo ao mercado, me aventurando a comprar verduras, cozinhar panquecas integrais.

E eu estava aproveitando bem, apesar de não adorar lavar pratos. Mas ouvia música enquanto organizava as coisas, ia no mercado na volta da academia. Ia duas ou três vezes na academia por dia. Fazia sucos, comia várias frutas, chás, canelas, farinhas integrais. E no segundo dia de isolamento, já abalada com a presença excessiva da minha irma integralmente em casa, chega o namorado dela. no quarto o retorno dos meus país.

E, o pequeno aquário que chamamos de casa e que nós encontramos moralmente obrigados a permanecer dentro está abarrotado. De gatos, cachorro, pessoas barulhentas, ideias, bens matérias, bagunças. Assim até percebo a importância e paz no desapego. Vontade de esvaziar tudo para encontrar o silêncio novamente.

Monalisa, Mona Lisa, Corona, Vírus

Vida de Atleta

Bom, antes dessa parada repentina eu estava indo muito muito cedo na academia de forma ininterrupta. Era a aluna certa da aula mais cedo e na aula mais tarde quase todos os dias. Só faltava por causa da aula de forró ou de natação. Animada cada vez que a aula ficava mais puxada e saia todo mundo reclamando.

Sou grata pela proatividade, iniciativa e disposição da academia de criar o canal Dynamo play:

https://www.youtube.com/channel/UCySj5-1rx75Pl7X06Vq8JgA

Confesso que assisto várias aulas, mas fazer… O quarto é pequeno demais, fora dele tem gatos, cachorros e eventualmente platéia. O colchão nunca é o ideal, nunca os pesos disponíveis são os mais adequados, a tela do celular não é grande o suficiente, o computador não é tão flexível.

Teve uma brincadeira que me deixou louca, quase consegui fazer alguma coisa porque o desafio me deixou bem motivada. O problema foi a necessidade de gravar, mostrando medições, fazendo o treino, com posicionamento adequado para competições. Foi um campeonato Online realizado pela empresa de roupa Burpee Brasil, uma iniciativa sensacional que fiquei louca para participar, maaas, é complexo.

https://www.instagram.com/burpeebrasilchampionship/

Enfim, assisti diversas lives de esportes, mesmo sem fazer nenhuma haha. Algumas empresas estão fazendo muitas coisas legais. As lives da Centauro está divulgando vários profissionais legais, são muito boas. As lives da Dynamo, com professores engajados, promoções e bastante interação com alunos são muito boas também. Pena que meu gatilho é sair de casa, estão sou toda saudade e muita saudade de me exercitar!

Chamada, Em Casa, Estadia

Aventuras que restaram

A única coisa clara em quem sou, principalmente em uma época tão nova como está que estou vivendo é o adorar desafio e me superar sempre. Trancada no quarto isso fica uma missão bem mais difícil. Mas, porém, ansiosa e agitada, não desisto fácil e tentei algumas novidades loucas para o meu repertorio.

A primeira distração curiosa que achei foi um anuncio de um aplicativo para o aprendizado de línguas. Tem algum tempo que meu Duolingo tem chamado sem respostas e depois de me desengajar é pouco estimulante voltar, as vezes demora, então algo novo pareceu bem interessante. Baixei esse app aqui:

https://www.tandem.net/pt-br/app/community

Hoje eu já desinstalei até porque eu não sou a pessoa mais social do mundo e muita gente querendo atenção é demais para mim. Mais foi uma experiência legal, gente puxando papo em inglês, espanhol, italiano. Gente falando besteira que foi solenemente ignorado e gente curiosa, disposta a aprender ou ensinar de verdade, bem legal. Até um livro que tinha vontade de ler, comecei a ler em inglês por indicação. O livro é este aqui: https://www.amazon.com.br/Sapiens-Uma-Breve-Hist%C3%B3ria-Humanidade/dp/8525432180

E foi uma experiência muito interessante porque a maioria das pessoas que mais buscaram o contato comigo eram pessoas de cultura muito diferente e em distancias muito grandes. Então já foi legal só por me estimular a perder preconceitos e aprender coisas novas. Conheci alguns muçulmanos, gente da Turquia, Índia, França, outros países latinos, alguns muito viajantes outros poliglota. Foi uma das experiências curiosas que é possível viver sem sair do lugar.

Os cursos é uma coisa complexa. Me inscrevi em milhões e continuo me inscrevendo. Mas não foram tantos que conseguiram me fisgar nesse tempo de tanta distração. Ainda tenho muita intenção de retomar alguns que comecei sobre meio ambiente da ONU e sobre inteligencia artificial, programação e áreas afins do data science. Mas os cursos mais agitados roubam a cena, nesse contexto me adaptei muito bem ao:

Reaprendizagem criativa do Murilo Gun, desenvolvi muita admiração pela capacidade dele de levantar discussões, indicar conteúdos, instigar o aluno. https://reaprendizagem.keeplearningschool.com/

A Universidade Rock Content tem alguns cursos gratuitos voltados para marketing digital, branding e passa o conteúdo de forma bem direta e interessante, explicando com exemplos da aplicação que usaram e de grandes empresas, muito interessante. https://university.rockcontent.com/

Outro material sensacional para quem tem um crush por educação inovadora é a metodologia Experience Learning da Perestroika. Me identifiquei com os relatos deles, achei o trabalho incrível, o material citado no decorrer dos documentos são excelentes e enriquecedores. Conteúdo inspirador, me lembrou muito o projeto de educação que me abriu muitas portas e que adoraria conseguir voltar a tocar. https://www.perestroika.com.br/experiencelearning/

Mas desafio pouco é bobagem

A única obrigação propriamente dita que venho tendo desde que o isolamento passou a ser aconselhado é em relação a ONG Engenheiros sem Fronteiras. Como faço parte da rede nacional que trabalha de forma remota, não há nenhum impedimento para continuarmos nossos trabalhos. E por lá estão saindo materiais sobre Usucapião, ação social, superartigos, manuais, postagens em blog. Mas são atividades que estão dentro do que venho fazendo a algum tempo já.

Então surgiu um edital, para participar da organização do congresso que terá que ser online, do Engenheiros sem Fronteiras. E acabei me candidatando para ser coordenadora de conteúdo internacional. Fui chamada e o evento ainda recebeu o titulo de II Encontro Latino Americano de Engenharia e Sociedade. Que desafio de organização, entendimento de causa, análise de oportunidade e preocupação com a experiência do congressista.

Todos os cursos que fiz estão contribuindo para uma loucura de ideias passando pela minha cabeça. Algumas parcerias fortes contribuem com um sarrafo altíssimo e muita experiência para compartilhar. Fiquei muito animada quando li sobre o inicio do movimento na França e discussões sobre a profissionalização de ONG’s e a necessidade de uma diretoria nacional forte que unifique os esforços. Tenho uma meta de integrar o movimento de profissionalização como ma oportunidade para o movimento estudantil. Vejamos o que vai sair dai!

Bom, mas ainda não acabou!

Resolvi me aventurar também aprendendo sobre o mercado financeiro, ações, renda fixa ou variável, preço de dólar. Para começar li metade do livro: https://www.amazon.com.br/Os-axiomas-Zurique-Max-Gunther/dp/8568905153/ref=asc_df_8568905153/?tag=googleshopp00-20&linkCode=df0&hvadid=379728949327&hvpos=&hvnetw=g&hvrand=194512809863953068&hvpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=&hvlocint=&hvlocphy=1001575&hvtargid=pla-395749146199&psc=1

Não li mais porque o App que eu estava usando começou a cobrar pelo uso e complicou tudo (o App chama Anybooks é ótimo, mas melhor ainda quando era gratuito). Mas é super interessante pois ele ensina a pensar sobre alguns pensamentos baseados em emoção que podem prejudicar a performance no mercado financeiro e isso já me deixou bem alerta. Até porque já quase vivi meu primeiro Circuit Breaker no segundo dia de investidora.

Como não tenho emprego, o que tenho na poupança é meio que para sobrevivência, não é muita coisa mas não dá para arriscar. Tenho dólar, menos ainda, mas tem sido um ótimo investimento e tenho esperança de precisar viajar novamente para algum programa de empreendedorismo então não troquei e acho lindo deixar valorizando.

O mais legal disso foi começar a me interessar e ler muito sobre economia, situação financeira de empresas, impacto da politica. Muito engrandecedor, acho que ampliou meu horizonte como empreendedora e possivelmente candidata de processos trainee porque para escolher em quem eu ia investir achei muito material completíssimo na internet e aparentemente bem confiável e embasado. Aqui algumas dessas fontes interessantes:

O canal do Youtube Stock Pickers, começou como Podcast e hoje comemorou um ano, me apresentou representantes de empresas, fundos, tomadores de decisão da área financeira discutindo sobre suas motivações, interessantíssimo. https://www.youtube.com/channel/UCx7ki_a6KpcvwQLBTz-zquA

Me poupe! Outro canal excelente com uma apresentadora um tanto quanto irreverente mas apresentando conteúdo coerente, capacitando os iniciantes a tomar decisão. https://www.youtube.com/channel/UC8mDF5mWNGE-Kpfcvnn0bUg

Eu fiz uma conta no Banco Inter que não cobra corretagem nem taxa de custodia, algo assim, ainda não estou 100% em todos os nomes. Depositei 100 reais e por minha conta e risco escolhi as ações. Meu critério foi as mais baratas, em empresas que me agradam ( e eu nem sabia que isso pesaria tanto, não foi muito consciente).

Escolhi ações da Oi, que quase quebrou, super pechincha. Além disso da Tim, que dizem que comprou a Oi e que financiou o programa de aceleração que participei ano passado e gostei demais. Comprei Itau Unibanco e Itausa, pela fama de boas empresas e expectativas de dividendos, apesar de saber que uma unica ação não me deixará rica com dividendos, mas não tenho como não admirar o Itáu que mantém o Cubo que é um Hub de inovação sensacional.

Além disso comprei Ambev pois conheço o potencial da empresa de buscar talentos, o engajamento com trabalho eficiente, entrega de resultados e que o brasileiro adora beber. Logo depois que comprei, confusão politica, Moro day, caiu tudo outra vez. Já quero arriscar ainda mais e pegar algumas queridinhas como B3, magalu, Suzano, Banco do Brasil e umas azaronas baratinhas como ações da Inter e da via Varejo.

Essa história de ações é bem viciante, a gente começa a querer saber mais, querer apostar. Fica medindo os riscos e estudando novas empresas. Tentando adivinhar, antecipar as noticias. Bem interessante um universo novo que estou conhecendo. Descobri que muitas informações relevantes são compartilhadas no Twitter, até resgatei a senha da minha conta.

Por fim, creio que estou como a maioria, tentando extrair o que tem de melhor deste momento. Profissionalmente me sinto em uma encruzilhada de possibilidades que se multiplicam a cada interesse. Por enquanto nenhuma delas parece usar o papelzinho que gastei quase 10 anos para arrancar da Universidade. Mas enfim, fora ou dentro das salas de aula esses anos me moldaram.

Coronavírus, Quarentena, Pandemia

Recalculando rota

Gps, Navegação, Garmin, Dispositivo, Meridiano

Passei um tempo em OFF pois as coisas mudaram bruscamente em uma velocidade exorbitante e demorei a digerir. Mas, como mudança pouca é bobagem… Lá vem uma crise global para mudar todos os habitantes desse pequeno planeta de uma vez só. Apenas.

De repente eu que passei um mês aceitando que não ia formar, formei. Entrei para academia, para a aula de forró que faz tempo que planejo e desisto. Comecei a cuidar criteriosamente da alimentação, tomar água com frequência, manter ordem no caos do quarto.

Foi 21 de janeiro, dia do meu aniversário que liguei os pontos. Nas planilhas do coordenador para colação de grau meu nome tinha um OK enigmático. Depois de muita covardia e indisposição com receio de estar delirando, liguei para comissão de colação para saber se eu teria ingressos disponíveis. Eu tinha. Então enviei um e-mail para coordenação relatando a minha dúvida.

Foi assim que descobri que depois de nove anos de curso, 9 fucking anos, eu formei. Vivi até que isso acontecesse. Finalmente atravessei por completo a inferno de Dante (na primeira aula de introdução a engenharia elétrica fui recebida com os dizeres da porta do inferno de dante, e agora, ao sair, acho completamente coerente).

Nesse mesmo dia matriculei em uma academia nova, um estúdio de circuito e bike. Pagando a língua, já que falei algumas vezes que essas são atividades leves e sem impacto. Entrei na corrida para emagrecer e ficar decente em alguma roupa para a colação de grau.

Claro que a ficha demorou a cair. Fiquei sem rumo ao pensar que todo meu planejamento caiu por terra. O tal desemprego me assusta, sem carteirinha de estudante que sempre me acompanhou, sem restaurante universitário, incrivelmente barato e agradável apesar dos pesares.

E por incrível que pareça ainda perdi uns dois quilos em uma semana. Sem exageros ou desesperos. Virei a louca dos sucos, melancia, laranja, limonada. Aprendi e ainda estou aprendendo sobre chá… canela, gengibre, limão, mate. Louca dos termogênicos, mas só os naturais. E um tal de comprar chia, linhaça, granola… Mas uso com uma lógica pessoal e singular, sabendo dos carboidratos açucares e tudo mais. Ou achando que sei. Whatever.

FINALMENTE. Vesti essa beca. Recebi meu diploma. Posso me dizer engenheira. Ainda falta meu registro profissional. E, caso queiram me empregar… não hesite entrar em contato. Mas sou GRADUADA em engenharia Elétrica. Depois de tanto stress, tantos obstáculos, aconteceu de repente.

Eu, o diploma e todos que me prestigiaram na colação.

O melhor é a sensação de liberdade. Que p#7a piano que saiu das minhas costas. O quanto eu não concordo com a forma que se constrói o ensino da engenharia. O quanto me chateia a futilidade das avaliações e de muitas discussões. O quanto me sinto imponente frente a tanta perda de tempo. Mas enfim acabou!

Mas as novidades não param por ai. Eu, introvertidíssima, dei até entrevista para a serie sobre mulheres motociclistas no canal Born To Be Uai : link. Foi com a galera que me incentivou a despertar para estrada, fui super bem recebida, recomendo demais e pretendo me arriscar estrada afora assim que possível.

Essa situação no motociclismo também me fez refletir bastante sobre empoderamento feminino. Já que na engenharia, no jiu-jitsu ou no rugby eu não me lembrava de ter a necessidade muito grande de ter mulheres para me espelhar e inspirar. Mas no motociclismo foi importante e me fez ter mais empatia pelas meninas que buscam isso em outras áreas.

Mulheres motociclistas e entrevistas

Confesso que foi algo que de certa forma acendeu um pouco meu feminismo. O que me fez tomar certa distancia da equipe de luta. A falta de representatividade, identificação de certa forma e entendimento do papel da mulher na sociedade passou a ser algo um tanto quanto intolerável e difícil de conviver. Ultimamente busco lugares que saibam lidar com essas questões prioritariamente.

Falando sobre lugares que tenho frequentado surgiu também uma nova meta para esse ano: Participar de provas de mar aberto. Para isso em situações fora crise estava nadando três vezes por semana e cada vez mais tentando apressar o passo e acertar o fôlego para aguentar o tranco. E esse ano teve competição para prestigiar a equipe que faço parte e conhecer a galera de outros horários.

Pós desafio

Além da natação fui progressivamente aumentando a quantidade e intensidade de aulas de bike e circuito que estava fazendo. Sem contar a alquimia na cozinha que não para. E como meu estilo é bem psicopata, já bati alguns records de check-in nas aulas de academia desde o primeiro mês.

Ai para ficar no modo Hard, meus progenitores resolveram se ausentar. Vulgo se mandaram para Bahia pleno carnaval. E eu plena, formada, desempregada, no modo fitness ON, fiz uma carna-faxina na casa, no quarto, na mente, na alimentação. Retomei o hábito de aborrecência de ouvir música direto.

Alimentei os 9 animais da casa, dei água, tira e bota passarinho. De olho se a cachorra estava comendo, se os gatos estão brigando. Aquela luta de roupas no varal, choveu, deu sol, tira e bota. Aquela treta maligna que é descongelar frango e carne para o almoço que até pegar o hábito o almoço saia por volta das 15h. 120 ovos em um mês, dá-lhe crepioca.

No carnaval fiquei completamente sozinha com os bichos e minhas músicas. Até me exercitei em casa. Me diverti com aspirador de pó e esfreguei o chão. Com a presença da minha irmã rola uma multiplicação da louça suja, do lixo, um tanto quanto estressante. Mas nessa fase após alguns suspiros longos abstraio.

E nesse ano de reviravoltas. Do nada, uma doença maligna chega. Quarentena, isolamento, academia fechada. E meus pais vão completando 28 dias fora. A ansiedade do isolamento foi imediata. Já havia deixado ela aparecer semana passada com o retorno inesperado e repentino das demandas do engenheiros sem fronteiras e algumas etapas de processos seletivos na minha agora busca por emprego.

Desde o final de janeiro que estava acordando entre 5 e 7 horas de segunda a sábado para ir a academia. Forró cancelado. Estava planejando buscar aulas de trapézio e estão canceladas. Queria ir a algum lugar. Estava constantemente indo no mercado, me aventurando a escolher verduras, legumes e frutas (algo que devido a inexperiência estava no minimo engraçado).

A situação da pandemia é tão alarmante que é difícil desligar dos noticiários. Agora percebo o quanto de conteúdo há disponível, milhões de lives, cursos e canais no youtube. Queria ler, tenho listas de livros para seguir, há tempos não visitava esse recanto mas a cabeça tem recebido muito a processar.

Aguardando ficar livre dessas obrigações de casa para buscar livros e séries. Com pouca esperança de ter coragem de me exercitar em casa. Vários projetos, atividades em mente, assuntos, obrigações mas pouca produtividade. Mas tenho que admitir que superei minhas habilidades de dona de casa apesar de zero interesses de manter o nível.

Descobri que sou chata da pia limpa, do chão cheiroso, do quero andar descalço sem grãozinhos. Descobri que é terrível ter tantos animais de estimação, que é o ó manter a casa limpa em dias de chuva. Fiquei bem menos apegada a carnes com a obrigação de limpar panelas de gordura. Só usei farinha de trigo integral e coloquei iogurte em quase todas as receitas.

Enfim, um amontoado de caos no quarto em uma só postagem. Alguns meses sem dar as caras por aqui aglutinados em muita informação e pouco nexo. Mas se nem o GPS tem facilidade com mudanças de rota repentinas… imagina eu!

É tempo de retomar os trabalhos

Primeiro um longo processo de driblar o péssimo humor! Claro que envolve muito chocolate em um bolo. Mas não só comer o bolo… escolher a receita, misturar os ingredientes, derreter chocolate, depois colocar tudo de volta no lugar limpo e organizado. A noite inteira acordada ouvindo música, assistindo séries e fazendo e desfazendo planos. Já foi suficiente para encarar algumas conversas importantes.

O bolo!

Aliás é sempre complexo quando entro em parafuso já que sou quase a monja dos rolê. As obrigações se acumularam, algumas solicitação de conselhos pendentes e, por acaso, me deu a louca e sai cadastrando em mil sites de emprego, vai que é hora de ganhar um trocado. Sem contar a necessidade latente de retomar os esportes e o plano promissor de dieta fitness do ano. ( O bolo não conta)

Mas esse tempo recolhida foi bom para analisar o que passou. Algumas frustrações atropeladas por novos e mais projetos. O terrível hábito de na falta de protagonismo e disposição dos demais absorver tudo. O excesso de vontade de mudar o mundo, melhorar tudo, causar impacto ultrapassando meus próprios limites.

Muito tempo sem férias, sem parar, deixando de manter hábitos importantes como ler por prazer, jogar conversa fora sem objetivo profissional, me trancar quieta no quarto, correr risco e reinventar receitas na cozinha, faltou até dar banho na cachorra ( e ela claramente sentiu isso, a Casçãozinha ficou radiante pela atenção que ganhou).

Na sequencia vem o pior dos conflitos liberdade e independência financeira. Depois de escolha feita, ouvi dizer que quem faz engenharia é filho de rico, pelo tempo médio que demoramos para formar ser alto e a dificuldade para conciliar estudos e trabalho também. Claro, existem pessoas que conseguem, mas que é brutal é.

Conciliar trabalho e estudo é um desafio e tanto, se somar família e relacionamento só vai ficando mais level hard. Ai surgiu o bichinho do empreendedorismo e enche os olhos com a história de ser o próprio chefe, fazer o que acredita, trabalhar por proposito, fazer diferente. Receita perfeita para um imenso impasse.

Só eu já me apaixonei perdidamente por dois conceitos de startup uma que carrega todo minha filosofia de vida outra que carrega o que percebo de mais importante de um profissão. Mas nunca ganhei dinheiro com nenhuma apesar de já ter investido muita energia. Já ganhei algumas coisas… cursos, viagens, reconhecimento. Mas até quando isso basta?

Mais que isso, não se trata só de mim. Tem outras pessoas das quais preciso da ajuda. Como fazer com que elas percebam que não é uma questão de esperar e ver se vai dar certo. Se não houverem pessoas que façam dar certo não vai dar, caso contrario tem exemplos por ai de sucesso impressionantes.

E dai em diante é conflito desaguando em conflito. Exemplo: $ pessoas é insuficiente, precisamos de mais. Ok, não temos recurso para contratar, dividimos parte da empresa? Oferecemos oportunidades futuras, até onde é possível negociar? Até onde existe o interesse? Até onde podemos ir sem sermos engolidos?

E a difícil tarefa de ser comercial e vender ideia. Buscar ir a fundo na sensação do cliente, entender o que ele ainda não entendeu. E tudo isso independente do tempo lá fora. Faça fio ou calor, sol ou chuva. Para quando? Ontem. Enquanto isso leia x livros, seja simpático nas redes social, frequente eventos, desenvolva tecnologia, desenho o futuro, melhore a capacidade de apresentação.

Até gosto de desafio mas… pega leve! Ainda somos seres humanos, as vezes sociais as vezes não. Querendo estar em boa forma física, dar atenção a família e animais de estimação, estar bem vestido, comer bem e frequentar bons lugares. Mas onde aperta para ter dinheiro?

Bolas, Empresário, Colorido, Malabarismo, Naipe

Tem dias

Tem dias, hoje é sem dúvida um deles, que dá vontade de mudar tudo. Mudar de casa, de signo, de companhias, o cabelo. Eu não gosto de monotonia e só vejo tédio. Quero adrenalina, experimentar, conhecer, me aventurar. Nem que seja por outros padrões de monotonia.

Hoje tive aquela péssima ideia de revisitar memorias. Quer coisa pior que atiçar dúvidas ignoradas pela correria. É tudo tão vago, tão sem sentido que me vem a dúvida sem é de fato real. Mas é, as provas estão espalhada em pastas, prints, fotos, histórias marcas.

Barco À Vela, Orvalho, Navio À Vela, Lona, Nó

Esse ano tem lá seus signifiCACOS. Marca várias coisas, promete outras e o resultado é dúvida, incerteza, ansiedade. Só quem tem marcas conhece. As lembranças digitais só obrigam a própria memoria a expor coisas que ela finge não ver.

E se, inconscientemente cai nesse calabouços de assuntos que me sobrecarregando de trabalho pude fingir esquecer e que, talvez, esteja profundamente agoniada. Pessoas, relações, não relações. O que a falsa distancia esconde. E essas vidas preenchidas com milhões de atividades?

Já mudei bruscamente de direção outras vezes. Mas cada vez, apesar de juntar menor roupas, ter menos acessorios, a bagagem é mais pesada. Sigo com alguns pianos equilibrados nas costas sem me curvar. Até o dia que não.

Tem hora que só não quero responder ninguem. Que é mais confortável ficar acordada enquanto todo mundo está dormindo. Só para ver o que acontece. Só mais hoje, amanhã e depois. Alguns dias sem sair de casa, pijamas o dia inteiro só para balancear o acorda cedo e dorme tarde de outrora.

Tell me something, girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there something else you’re searching for?

I’m falling
In all the good times
I find myself longing for change
And in the bad times I fear myself

Tell me something, boy
Aren’t you tired trying to fill that void?
Or do you need more?
Ain’t it hard keeping it so hardcore? Shallow (Lady Gaga feat. Bradley Cooper)

Arenas.

“It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.”

Aqui deixo o link de onde li essa citação que me fez refletir com força sobre o quanto me coloquei em prova esse ano [Link]. Não só me expus mas errei e ouvi diversos feedbacks de pessoas que admiro e que fazem com que minha cabeça ferva com frequência, mas assim que reúno a bagagem que preciso para evoluir desenvolvendo coisas que acredito.

Gladiador, Guerreiro, Artes, Armas, Arena, Romano
Ano de batalhas

Mais marcante de ler esse texto para mim foi enxergar para que arena ele me transportou. Podiam ser várias mas a mais recente foi no último workshop presencial em que ainda com aparência firme me deixei corroer pela dúvida. Tantos conselhos de diferentes pessoas que ouvi e até a dificuldade com mudanças de sócios.

Eu estava em um dos lugares mais inspiradores que já conheci em termos de empreendedorismo. Conversando com os mentores que mais me impressionam atualmente sobre as últimas dúvidas que saltitavam nos meus pensamentos. ARGH que RAIVA! Fui completamente traída pelos meus belíssimos pares de olhos.

Uma correnteza discreta porém incessantes começou a atravessar meu rosto. Todo meu teatro de segura e inabalável indo por água abaixo. A voz segura, a postura, tudo em vão depois dessa delação premiada. Completamente exposta por essa sucessão de minusculas e transparentes demonstrações do desespero interno.

Trauma, Ferido, Lágrima, Violentos, Traumatizado, Dor

Sou uma iniciante em lidar com toda essa gama de informações. Me tornei bem mais ousada e passei a arriscar cada vez mais. Por vezes durante esse ano me assustei ao ver pessoas, lugares e oportunidades que alcancei. Não é fácil administrar expectativas, tempo e frustrações. Mas sinto que esse âmbito me faz gastar energia em coisas que são de fato importantes.

Acredito que com toda dedicação consegui certa visibilidade para meus últimos projetos. Isso é ao mesmo tempo um presente e um peso. Em parte parece indicar uma direção promissora que por outro lado trás muita responsabilidade. Sempre vai ter quem diga que vai dar errado e quem apoie totalmente a ideia. Mas sinto que extrai o melhor de cada experiência.

Foi sensacional a quantidade de histórias inspiradoras que ouvi e espero ter energia para construir algo que possa ter esse caráter motivador para outras pessoas. Tenho um pretensão ambiciosa de me tornar mais capaz de ler pessoas e suas necessidades para a partir delas construir algo maior. Acho que é assim que eu trabalho melhor, apesar disso ainda me parecer palavrãolmente difícil.

A jornada é longa e quanto maior for a ambição e os resultados alcançados… maior será a chuva de criticas, feedbacks, especialistas, parentes de alguém que terão algo a dizer. E, por mais que não seja fácil, isso é ótimo. Gosto muito de ouvir as pessoas, todas elas e vou a fundo em qualquer comentário. Isso me leva a curto prazo a loucura, mas eu me ajeito e tudo bem. Assim que a gente cresce, apesar dos míseros 1,54 metros de altura.

Motivo De Natal, Imp, Figura, Anão, Tecido, Vermelho

Autoconhecimento: uma busca sem fim.

“Essa teoria defende que muitas crianças são como dentes-de-leão, capazes de resistir em quase qualquer ambiente. Mas outras, incluindo os tipos altamente reativos estudados por Kagan, são como orquídeas: murcham facilmente, mas com as condições certas crescem fortes e esplendorosas.” (O poder dos Quietos – Susan Cain)

Capa do livro O poder dos quietos

Tive um ano completamente intenso de aprendizado, medo, competições e tudo isso me levou a algum aprendizado. Mesmo com a dificuldade de tempo para ler, tem certos livros que surgem, sugando minha atenção e esse foi um deles. Eu diria que esse livro tem uma mensagem um tanto quanto libertadora para gente que assim como eu, frequentemente se vê pressionada a preencher padrões.

Não é difícil lembrar de cenas nas minhas memorias em que vejo meus próprios pais bajulando um filho de algum, comunicativo, simpático e conversador. E o comunicador tem seus encantos, concordo veementemente, só não tenho interesse de ser comparada. Mas entendo que há dificuldades e cobranças do outro lado também e tudo fruto de ignorância, na minha opinião não especialista em nada disso, por acaso.

A questão é que me interesso demais pelo assunto. Sou de certa forma apaixonada por psicologia, apesar de ter adiado a pretensão por esse curso pela engenharia. O que não quer dizes que meu interesse diminuiu, muito pelo contrário, a falta de humanidade no curso de exatas me deixa desesperadamente ligada aos cursos de humanas, cada vez mais.

Talvez isso seja só mais um sintoma de alguém que se vê com frequência negligenciado na área que escolheu para atuação profissional. Esse incomodo acaba por se converter em curiosidade e busca por aprendizado e soluções. Dai vem também o laço que me faz buscar entender sobre educação e ferramentas de aprendizado.

Lembro que há um ano atrás vivi um conflito por não querer estabelecer horários de trabalho e local fixo. E eu sou sem limite para trabalhar, viro noites sem problemas, fico completamente obcecada com enigmas e dificuldades, frequentemente sou a que mais trabalha por não ter a capacidade de me desligar daquilo que me vejo envolvida.

Mas quando estou em um ambiente coletivo, salvo poucas e raras exceções, acabo mais gerenciando o que os demais fazem, avaliando, compartilhando e corrigindo o que construí sozinha. E isso não quer dizer que eu não veja muito valor na construção coletiva. Fico decepcionadíssima com trabalhos em grupos sem discussão. Sou uma eterna defensora dos conflitos e da argumentação mesmo que seja calorosa, desde que seja respeitosa.

Mas eu preciso, muito, do meu tempo sozinha para absorver informações, administrar e extrair pensamentos. E para isso preciso estar no meu ambiente, livre para ir e vir, comer, beber, chorar que seja. Muito tempo sem meu espaço e tentando produzir no local inadequado me leva a um panico desesperador em poucos segundos.

Basta dizer de onde vem o tão caos no quarto que dá nome ao blog. É em geral de madrugada, trancada no quarto distante de olhares curiosos que sou capaz de ordenar (as vezes extrair sem ordem também) os pensamentos que circulam nessa cabeça agitada, apesar da aparência sensata e tranquila.

E como gosto dos longos períodos de leitura, estudo ou até em que acompanho alguma obra seja filme ou série. O quanto me concentro e absorvo de informações sozinha ou em um ambiente confortável. Em condições especificas me adapto a mais alguma pessoa e até um grupo, mas geralmente precisa ser algo orgânico e espontâneo.

Ainda não terminei o livro, mas misturando tudo que tenho lido, me enxergo como um tipo peculiar de introvertido. Bizarro até. Em geral o introvertido busca distancia de riscos. Já eu adoro adrenalina no limite. Minha teoria é que descobri que tem certo patamar de adrenalina que perco a consciência do que estou fazendo e a timidez deixa de reger minhas ações.

Meio que descobri isso com o esportes. Quando comecei a praticar o rugby… Nossa! Que medo que eu sentia em campo! E toda vez que eu entrava em alguma disputa de bola, mergulhava para derrubar alguém, ou enfim me metia em alguma situação assustadora (ou desafiadora) a timidez ia embora não conheço de coisas biológicas então não sei dizer se é excesso de adrenalina, endorfina ou sei lá mais o que. Mas eu sei que eu me desconcentrava da percepção dos outros, das preocupações e conseguia viver só o momento.

Moral da história é que eu meio que me viciei nessas situações que me libertam. Os esportes brutos, rugby, luta e as competições em geral. Atá a última competição que participei esse ano, de natação, estava tão afoita para ganhar que praticamente esqueci a respiração e todas essas experiências me ensinaram coisas importantes sobre mim que me ajudam a estabelecer minhas prioridades.

Aliado a isso vem a minha competitividade. Não encaro ela como algo de comparação externa. Até porque a competição interna é tão absurda que a externa fica em segundo plano. A minha necessidade de resultado e autosuperação é meio autodeselegante, se isso não existe acabei de inventar.

Um pouco do que observei sobre meu desempenho em um ambiente mais reservado, que ficou bem claro foi o tempo que pratiquei cross fit. Por causa das demais obrigações por algum tempo fiquei frequentando cross fit quase sempre sozinha as sete horas da manhã. E eu me superava muito e sempre, fazia coisas bizarras por não ter noção do plausível. Atingia velocidades e um grau de concentração absurdo e em horários mais movimentados não chegava nem perto.

Acho incrivelmente interessante carregar essas noções que são claras no esporte para o ambiente acadêmico e empresarial, já que no esporte amador as obrigações são menos intensas e dá para observar certas características de forma isolada. E tudo isso tem muito a ver com a startup de educação, com os problemas que vejo na universidade e seu formato atual e um pouco com pontos positivos no último programa de aceleração que vivi, online e a distância.

Ser entusiasta de inovação nesse mundo de hoje requer alguns cuidados. E é difícil evitar algumas expectativas. Cada vez minha área de atuação e maior capacidade de inovação se desenha direcionada á pessoas. Ainda é complicado conseguir ter voz. É muito natural para engenheiros achar que pensar nas pessoas, na educação, na gestão e engajamento é besteira, apesar das campanhas de marketing enorme meramente ilustrativas assim como muitas campanhas ambientais.

Peixe, Comunhão, Confirmação, Fé, Símbolo

Aconteceu na pele.

Divulgação do evento

Bem, era um dia praticamente normal. Primeiro dia de férias e supostamente eu podia ter me tornado engenheira. Mas por uma única matéria não, [palavra feia da sua escolha]. Na verdade pior, meia matéria já que era pra pedir equivalência, tive que fazer duas disciplinas para valer um, dobrei a carga horária, mas, porém, todavia não passei.

Mas, tudo bem. Já estava dentro do planejado. Se eu passasse comemoraria que ia formar senão afogaria as magoas. Não que fosse beber para isso que minha condição financeira e ambição nem permitem. Mas era um evento de gente legal, com gente legal, do curso de inglês que sou grata demais de ter tido a oportunidade de cursar, então super fui.

Tinha bastante tempo que não me permitia nenhuma distração, na mesma semana tinha apresentado o TCC, outra novela a parte e mais que lazer era uma obrigação pelo carinho que tenho pelo curso e professores de lá. Tinha planejado o dia todo, comer tal hora, sair assim e assado, passar em sei lá onde, ligar pra sei lá quem.

Mas para variar saiu tudo diferente do esperado. Fui quase vender a moto do meu pai, sem ele para uma amiga e atrasei tudo, sai correndo sem me arrumar direito, sem comer, pequei qualquer ônibus, não pesquisei onde seria a comemoração nem coloquei crédito no celular. Mas depois de andar para um lado e paro o outro cheguei lá.

E foi ótimo ver rostos conhecidos, colocar o papo em dia, gravar depoimentos. A campanha atual do curso me representa demais e fico super feliz de ter feito parte. Até porquê o curso surgiu na minha vida em uma fase de transformações e contribui muito pelo meu interesse em outras culturas, outras competições, mais línguas, mais viagens.

Isso é muito interessante pois tenho gasto muito tempo assistindo séries em inglês com legenda em inglês para continuar me familiarizando com a língua mas tenho absorvido bem mais. Quando assisto uma série hoje de outro país tento perceber pontos de vista diferentes, outros níveis de maturidade tecnológica, outra forma de resolver problemas e é meio esclarecedor.

E um pouco disso foi despertado pelo Sistema 3 e sua metodologia de ensino. Sou super fã do sistema e vire e mexe fico tiêtando. Normal. Mas dessa vez teve uma surpresinha a mais. HAHA. A comemoração estava sendo em um bar, de brinde tinha a versão deliciosa de bem casado digna para um curso de inglês, o “Bem-fluente”. Vou deixar aqui o link da campanha que curti demais.

Campanha do Sistema 3

Assim que chegamos conversamos com o Vico, diretor, é sempre uma pessoa agradabilíssima, que não hesitou em deixar a dica no ar. Tinha uma tatuadora no bar, fazendo flash, com tatuagens de presente, mais um presente do sistema 3! Fiquei até nervosa com essa notícia. Sou invocadíssima com tatuagens, tanto que levei minha mãe aos 50 anos para fazer uma! Mas sempre dei desculpas…

É caro. Não sei o que escolher. Vou fazer depois de formar. Medo de arrepender. Tem que evitar comer X ou Y… Entre outras desculpas. Fiquei agitadíssima com a possibilidade mas ainda estava levemente contida. Ai chegaram mais conhecidas e pelo menos uma ficou tão alucinada quanto eu pela ideia. Depois de alguns minutos olhando o catalogo, não decidi nada mas coloquei o nome na lista mesmo assim.

Queria algo personalizado, um cruzeiro do sul na costela usando minhas pintinhas como estrelas. Mas senti que estava sendo traiçoeira de não tatuar algo do México por conta da viagem que me levou a embarcar na experiência do Sistema 3. E tinha muito símbolos legais que me despertaram interesse.

Os cactos. As pimentas. o sombreiro. Tacos! Um Girl Power, que ficaria lindo no meu biceps! Resiliência em Russo, que massa! Mapas, bandeiras, entre outras coisas mais. E o tempo estava passando com a espera. Começou a surgir a preocupação que não desse tempo. A cozinha do bar fechou, as pessoas começaram a ir embora.

Mas eu não arredava o pé, agora eu queria de qualquer jeito uma tatuagem. Adorei o grau de inesperado da situação. A última vez que fui longe para fazer uma tatuagem ainda era menor de idade e iria precisar de autorizações. Chato, chato, chato. Dessa vez não. Era só escolher e marcar na pele que o Sistema 3 aconteceu em mim.

Então minha sócia que estava comigo resolveu ir embora e a tatuagem anterior a minha começo. A empolgação dela que me ajudou a aproveitar a oportunidade de qualquer jeito. E nem eu lembrava mais, mas antes do bar chegar havia pedido um drink e no final do segundo tempo ele chegou. E para variar eu sem comer direito, com zero hábito de ingerir qualquer tipo de situação, fui com sede ao pote.

Resultado: Pensa numa pessoa sorridente, mostrando as gengivas e de riso fácil que certamente não seria eu sóbria. E claro, minha noção espacial que não é exemplar já foi para o saco. Haha. Eu estava super me concentrando para não cair com um puta sorriso e mega comunicativa. OMG! Doido mais adoro rompantes e loucuras assim.

Chegou minha vez, a tatuadora sugeriu que deixássemos o cruzeiro do sul para outra oportunidade, que merecia mais atenção e cuidado ao desenhar. E eu, já tontinha da vida, deixei a criança interior falar mais alto e fui no desejo reprimido de desenhar um dente de leão no pulso. Mas qual é a do dente de leão?

Posso inventar vários motivos, mas o primeiro dele, talvez o mais forte na real é que sempre foi prazer simples de infância, que o tempo não levou ainda, encontrar a plantinha de soprar. É um sorriso certo. Lembro de algumas vezes que fiquei para trás na volta da escola e quando minha mãe ia ver lá estava eu correndo e vendo a plantinha se desfazer, rindo.

Cena Inicial do filme Vida de Inseto

Além disso, tem os filmes… Esse Vida de Inseto por exemplo, me marcou profundamente por causa da cena da formiguinha indo embora voando na semente do dente de leão. ADORO essa cena e por causa dela ADORO o filme! É o quê de liberdade do dente de leão que me atrai… o desfazer com o vento sei lá. Me leva imediatamente para um lugar que tem alegria infantil, gosto de ter isso marcado singelamente na pele.

Melhor cena de Vida de Inseto.

Foi um pouco dessa liberdade que senti buscando uma nova língua e é meio por isso que essa campanha me representou tanto assim como as oportunidades que vivenciei durante essa ano. Gosto de ser livre para ir e vir, mudar de rumo as vezes ou não. Mas escolher. As vezes arriscar, experimentar.

Gosto de me assustar achando uma tatuagem em mim. A curiosidade que desperta. o tom misterioso e inesperado. E pronto, por agora matei uma vontade. Reza lenda que é difícil ficar só em uma… Cenas dos próximos capítulos…

Posicionamento

Pressão.

Responsabilidade.

Inspiração.

Transpiração.

Ação.

Empatia.

Trabalho.

Confiança.

Obstáculos.

Superação.

Posicionamento.

Cada vez o chamado fica mais forte, cada vez mais a responsabilidade pesa. O tempo passa e a importância aumente. De repente te muita gente assistindo você se posicionar. Tem gente apostando. Tem gente torcendo contra ou a favor. Você começa a ser visto, amado ou odiado, sempre visto. E isso tem um preço, é mais difícil pegar no sono, as escolhas passam a ter mais consequências.

Isso é muito do que eu venho sentindo e cada vez mais. É o que me preocupa e o que me obriga a escolher certas oportunidades em detrimento de outras. Foi um semestre que não fiz luta, esse mês não fiz esporte nenhum. E de repente cheguei com uma tatuagem em casa. Real. É a liberdade que eu gosto e defendo, no meio de gente e projetos que eu acredito.

Hoje é tudo tão conectado, todo mundo tão visto que é difícil suprir as expectativas. Expectativas internas e externas, a proposito, que isso de se expor mexe muito com a gente por dentro. Eu sou mais uma introvertida tentando sobreviver nesse mundo de comunicação e gostar dele. E tem sido uma busca constante, uma obrigação frequente e uma meta.

Conexão

Administrar expectativas, pessoas, planos, projetos, necessidades e frustrações. Aquele malabarismo aceleração que quanto mais se alcança mais complicado fica. Para cada meta alcançada escolhas, prioridades, mudanças. A estabilidade é um desafio diário, as vezes sofre com pequenos deslizes.

Mas parece que tudo acontece no time, com alguma lógica invisível que as vezes se mostra outras não, mas só me resta acreditar. E o trabalho sério, o esforço, a simplicidade, para aumentar a chance da sorte aparecer. Hoje passeio por lugares, com pessoas e em oportunidades que eu não imaginava. Me tornei alguém bem diferente e gosto.

Claro, com a mesma essência, a mesma teimosia e energia. Mas diferentes planos e sonhos, que não hesito em imaginar mudando completamente amanhã que seja. Quanto mais certezas tenho mais convicta de que elas podem mudar. Contraditório?! Talvez. Mas para quem queria psicologia, vou me formar em engenharia. A um ano e meio queria aprender sobre Canvas para me preparar para processo seletivo de Trainee, acabei especialista de Canvas tentando montar minha própria empresa.

Mais um Programa de Aceleração chega ao final.

Galera do AWC

Não é curta a lista dos programas de aceleração e competições de empreendedorismo que participei nos últimos 16 meses. Mas cada programa, cada mentor, cada equipe tem algo bem especifico para ensinar. E esse foi um programa bem longo em extenso, de um projeto que uniu as pontas de vários projetos que vivi dentro do meu curso.

Vários fatores contribuíram para esse projeto se tornar tão intenso como foi e possivelmente vá continuar sendo em outras oportunidades. Começou como fuga de problemas de outra startup que conseguiu muito resultado de forma rápida o que gerou muita expectativa e como consequência muita frustração.

A inscrição no AWC foi de véspera, porque duas até então conhecidas aceitaram a missão, sem expectativa e sem organização, como me é característico. E deu certo, nosso projeto foi um dos selecionados, a outra startup teve todas a esperanças esgotadas e a equipe colapsou completamente.

Por trás do projeto submetido ao AWC estava meu TCC, meu estágio e toda minha formação, como empreendedora, idealista, inconformada com disposição para fazer a diferença. O programa de aceleração do AWC com apoio intelectual de empreendedores, professores da USP , apoio financeiro do instituto TIM e mais alguns incentivadores da região.

É um misto de emoções todo esse processo. A primeira etapa, de validação de dor, era imprescindível ter alguém visitando propriedades rurais e adquirindo informações de rotina, equipamentos, necessidades e dificuldades. E foi uma grande surpresa saber que tinha escolhido uma pessoa completamente adequada para isso.

Era bem divertido todo o processo, apesar do stress, já esperado que é comum no curso de engenharia, na vida universitária e, principalmente, na rotina do empreendedor. Mas na última hora da prorrogação a gente deixava tudo pronto e enregava. A Letícia descrevia o campo em alguns segundos, a Mariana escrevia tudo e juntas desenhávamos o que apresentar no dia seguinte.

Nesse processo nos sentíamos as queridinhas do coach pois conseguimos entregar tudo que era solicitado, nossas preocupações e dificuldades sempre antecipavam os conteúdos que viriam em sequencia e apesar de tudo deixar a equipe em um misto de vaidade e pressão, era legal. Com a experiência que tenho, sei que é sempre difícil prever o que vem quando o assunto é empreendedorismo já que é tudo incerto, a sorte conta ainda mais que o usual.

Quando saímos da etapa de validação para etapa de prototipagem as coisas tornaram se mais difíceis. A insegurança se tornou maior e parecia que não casava as expectativas e dores com o que tínhamos disponível para entregar. Eu comecei a buscar mais ajuda externa, precisei marcar e frequentar mais reuniões e as meninas não me acompanhavam e cada vez a defasagem no aprendizado se tornava maior.

Foi inesperado o primeiro rompimento, pois a Letícia era quem parecia mais adequada para startup e mais empolgada com projeto em si, mais por problemas familiares o projeto se tornou um peso e era claro que ela não conseguia se empolgar com nossas perspectivas. A Mariana nadou um pouco mais e espero que tenha sido bom para ela, foram vários dias resistindo e lendo sobre dimensionamento, TCC’s sobre desempenho de motores, variação de temperatura e tudo mais.

Durante a feira de soluções ela me deu a impressão de estar completamente envolvida e dentro do projeto. De querer viver naquele mundo e de ter válido a pena o esforço. Logo depois veio nossa indicação para o Hack BR e a necessidade de fazer apresentação, vídeos e o semestre estava começando, fim de férias.

Foi então que me vi sozinha, havia prospectado uma outra pessoa para equipe, mas assim como não apareceu aqui na história a participação dele até então tinha sido de fato nula. Recorri a uma amiga da equipe anterior que ruiu, a única coisa que pensei foi que ela já aguentou alguns trancos anteriores, então porque não. Tive dúvidas se ela aceitaria, mais adrenalina em alta e necessidade de seguir só chamei.

Para minha surpresa ela aceitou, eu como sempre já estava com os miolos fritando desenhando histórias e roteiros as ideias estavam todas formatadas. Ela foi capaz de trazes para realidade, adaptar a linguagem colocar uma linha de raciocínio e deixar a ideia mais apresentável. Foram uns três vídeos para apresentações e de fato garantimos nossa participação no Hack Br.

Aquele membro que ainda não tinha tido nenhuma participação propôs um estagiário e juntos eles meio que assumiram o desafio técnico que era entender, automatizar, talvez criar um produto, enfim, definir o que fazer em relação ao protótipo, como fazer e tudo isso ajudar a direcionar o modelo de negócios assim como o futuro do projeto.

Equipe Agri9

Enfim, a logo mudou, as preocupações, competências, identidade visual, até os problemas, tudo mudou. A lista de materiais 01 ficou pronta, a 03 foi descartada, a 02 ficou encaminhada. Já tinha Arduino sendo programado, peças sendo desenhadas, usando torno, impressora 3D e mil coisas mais que nem eu conheço direito. A única coisa que não mudou é que de certa forma estava tudo nas minhas costas.

Muito improviso e um começo de protótipo

Acabou que a equipe que assumiu não sentiu a responsabilidade do programa de aceleração, ainda que tenha tentando de tudo para estimular o interesse. Acabava que eu tinha de absorver todas as informações e entregar de uma ponta a outra, enquanto terminava TCC, fazia algumas matérias, e entregava alguns solicitações no engenheiros sem fronteiras.

E não era a única da equipe atolada. Na verdade acho que é o mais natural, makers são makers em tudo então quanto mais fazemos mais buscamos fazer e é um ciclo infinito de causas a abraçar e projetos a carregar concomitantemente. Mas com muita correria, os compromissos do Hack Br começaram a aparecer também, as cobranças do TCC e todo mundo ansiando pelas férias.

E junto com as férias a feira de investimentos do AWC se aproximava, trazendo a necessidade de vender a ideia, de toda a equipe estar alinhada e conhecendo o projeto, de validar com parceiros e profissionais oportunidades. Veio uma semana intensa de um mês agitadíssimo de um projeto bem complexo.

Foi também uma oportunidade de conhecer mais e melhor o potencial do projeto, as perspectivas da ideia e as motivações dos membros da equipe. Vivemos vários capítulos dessa novela em uma única semana: A maquete, o planejamento da feira de investimentos, a construção do financeiro do projeto, a segunda parte da lista de compras e uma quase pivotagem de última hora.

Maquete saindo

E depois dessa trabalheira toda veio a viagem e os Workshops, não deu tempo de dormir, correria total, muitos feedbacks, discussões, dúvidas e ansiedade para apresentar no Cubo. Fizemos laços também com histórias, outras equipes, algumas risadas, algumas revelações, muito cansaço, reclamações também.

Pitch Agri9

E teve a longa jornada de montagem e discussão sobre Pitch, a famosa e curta oportunidade de vender um peixe complicadíssimo e muito trabalho em poucas palavras, de maneira peculiar. Essa foi certamente a parte mais difícil para mim devido ao envolvimento com projeto, o excesso de informações na cabeça e, enfim, certamente gerou muito aprendizado também.

Agri9 no Cubo

Então o temido e esperado dia chegou! Feira de investimentos, apresentando nosso projeto para quem aparecesse. Ouvindo personalidades importantes na área de inovação para o país incentivar o que estamos construindo. Orgulho de fazer parte do grupo que vai atrás de trazes mudanças para construir.

O Cubo

Gratidão pelos momentos, pelo aprendizado. Vale frisar que apesar da importância do dinheiro, Networking, conteúdo, brindes e viagens o maior presente do AWC foi sem sombra de dúvidas conhecimento. O grande diferencial tem a ver com experiência com vivências e incentivo. O mais importante e impactar, inspirar e levar essa revolução a quem não tem facilidade de alcançar. Um programa de educação empreendedora real. Só tenho a agradecer pela oportunidade pelas pessoas que tornaram isso possível e que me acompanharam em mais essa jornada.

Lá vem 2020!

É tempo de fazer promessas, criar expectativas, planos, despedir de alguns hábitos ou até bens materiais e recomeçar. Hora de fazer o balanço do que foi bom, das metas que foram alcançadas ou não, dos erros, das oportunidades. Sempre bom ter a oportunidade de realinhas as expectativas e corrigir o que não vai bem.

Época de desapego em alta. Doar as roupas que estão há muito tempo sem usar. Tirar projetos do papel, descartar projetos que não estão avançando, iniciar novos Hobbies, se reinventar, sempre bom. Além do feriado que há muito não tenho tanto tempo para refletir e descansar sem pressão e obrigações a cumprir, apesar de alguns poréns.

E quais são as minhas expectativas? Exatamente não sei, mas é sobretudo definição. Investir nos empreendimentos pessoais, insistir na equipe atual, buscar um emprego, finalizar os detalhes que faltaram para formar. Fazer contatos, Networking, me comunicar melhor, aprender línguas e culturas, investir tempo e estruturação no blog.

Ainda tenho duas competições em curso com a startup de agricultura. Muitos comentários, Feedback, contatos e apoiadores. Ainda tenho pretensões para a startup de soft skills. Quero me estabelecer como profissional e entender mais sobre marketing pessoal e posicionamento.

Quero me dedicar mais ao que gosto e fazer disso bandeira. Tipo o motociclismo, quero entender e participar mais do movimento de e para mulheres motociclistas, é algo que me confere liberdade e me faz sentir bem mesmo. Vou sem duvidas dedicar mais tempo aos meus esportes, nem sei quais serão os esportes do momento mais sei que terão alguns e rapidamente encontro metas, competições e objetivos dentro deles.

Como me envolvi com o empreendedorismo e quanto gostei disso. Ainda quero aprender mais sobre voluntariado e projetos sociais. Tenho buscado aprender mais e mais sobre empresas, projetos, responsabilidade social, questões ambientais. Espero conhecer mais gente inspiradora, ouvir histórias, incentivar outras.

Durante a caminhada rumo ao final da faculdade, me envolvi em um projeto de tornar meu curso mais empreendedor e espero que meu TCC, que está certamente bem aquém do que eu esperava dele, pelo menos ajude a despertar o protagonismo localmente. Pelo que tenho vivido, localmente parece que essas histórias de empresas pequenas, enxutas com poucas pessoas, com missão forte, que começam com pouco recurso ainda parece delírio distante.

Interessante isso, pois foi um presente de 2019 para mim, o curso de inglês, a viagem para o México, o interesse por outras culturas, alguns contatos com profissionais de diversas áreas principalmente empreendedores e professores atuantes na área de inovação e tudo isso alimenta a chama de construir coisas maiores, de gerar impacto, de multiplicar um projeto pequeno para que ele gere soluções em escala.

Enfim, na busca de organizar por aqui vou começar a tentar abordar um assunto de cada fez e colocar ordem no caos. Talvez dê certo, talvez eu desista já no próximo post mas é tempo de se desafiar, não é mesmo? E os desafios são grandes motivadores para mim. Então lançado o projeto organização, a meta com línguas, usar melhor conteúdo visual, aprender a editar videos e apresentações. Como sempre espero que o ano fiquei curto, seja intenso. No final gosto mesmo de dormir pouco, dos vários rompantes de quem quer muito e se desafia sempre.